Brizola determina a PDT votar pela CPI da Cehab
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segunda-feira, 03 de abril de 2000
Por Wilson Tosta 
Rio, 04 (AE) - O presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, está orientando a bancada do partido na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) a votar a favor do pedido de instauração de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar supostas irregularidades na Companhia Estadual de Habitação (Cehab).
A orientação foi discutida ontem (03) à noite em telefonemas de Brizola, que está no Uruguai, a integrantes da Executiva do PDT e passada hoje de manhã ao líder da bancada, Carlos Correia. A CPI foi pedida pelo deputado Paulo Melo (PSDB). A bancada do PDT tem 17 deputados, mas está dividida: muitos parlamentares resistem a aprová-la.
"Uma vez que o governador Anthony Garotinho (PDT) diz que tudo deve ser apurado, não há sentido no PDT votar contra", disse Brizola, segundo relato de um auxiliar.
O pedido de CPI põe no centro dos debates o presidente da Cehab, Eduardo Cunha, ex-presidente da antiga Telecomunicações do Rio de Janeiro (Telerj) no governo Fernando Collor de Mello. Cunha foi processado sob a acusação de ter ligações com o empresário Paulo César Farias, o PC, que intermediava, clandestinamente, negócios no governo entre 1990 e 1992, cobrando comissões ilegais. Cunha está sendo acusado de irregularidades na construção de casas populares. A empresa Grande Piso, até pouco tempo, não teria capital para as obras.
Hoje, Cunha, que fora chamado a depor na Comissão de Obras da Assembléia, mandou dizer que não poderia ir, o que gerou irritação na bancada pedetista. "A bancada do PDT vai decidir se pede a exoneração de Cunha", disse a deputada Cidinha Campos (PDT).
O comando nacional do PT vai examinar um recurso do deputado Milton Temer (PT-RJ) pedindo a revogação da decisão do diretório regional fluminense que, no domingo (02), resolveu "sair politicamente" do governo Anthony Garotinho, mas ficar nos cargos que nele ocupa.
Segundo o parlamentar, a decisão, por ser "absurda", está causando "um prejuízo incalculável" à imagem pública da legenda. Temer quer que a executiva adote a proposta derrotada por um voto no diretório: deixar imediatamente a administração e discutir a crise com o pedetista e toda a frente de esquerda.
"Criou-se, com a decisão do domingo passado, uma categoria nova: rompimento político com manutenção do vínculo empregatício", ironizou Temer, que assinou o recurso com os dirigentes petistas Leo Lince e Flávio Loureiro. Os três são do grupo Refazendo, que congrega a esquerda petista fluminense. O Refazendo foi a tendência mais atingida pelas últimas intervenções da cúpula nacional petista, como a que, em 1998, cassou a candidatura do ex-deputado Vladimir Palmeira a governador e obrigou o apoio a Garotinho.
No documento, os petistas exigem a interferência imediata da executiva, "desta vez, para ajudar o PT-RJ a sair do pântano onde se meteu com essa resolução inteiramente descabida". "O PT não pode ser ridicularizado, nem aceitar a pecha infamante de partido da boquinha", afirmam os militantes no recurso, referindo-se ao bordão lançado por Garotinho em 1999. O secretário-geral do partido, Arlindo Chinaglia (PT-SP), informou hoje que ainda não há data para a próxima reunião da executiva.
De manhã, o governador afirmou não admitir que o PT o ponha sob suspeição. "Eles (os petistas) têm o direito de fazer CPI sobre qualquer órgão, inclusive podem investigar qualquer membro do PT no governo", afirmou. "Agora, não admito que coloquem a honra do governador sob suspeita."


