Brizola critica PT por 'indefinição' na crise entre Planalto e Estados
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domingo, 28 de fevereiro de 1999
Por Sandra Hahn (especial para a AE) 
Porto Alegre, 01 (AE) - O presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, criticou hoje a direção nacional do PT e os governadores de oposição. Brizola considerou a cúpula petista "indefinida", durante a crise entre o Palácio do Planalto e os Estados, e afirmou que os governadores de oposição levaram o colega mineiro Itamar Franco (PMDB) a um "aparente isolamento"
por realizar o encontro de sexta-feira (26) com o presidente Fernando Henrique Cardoso.
"Eu acho que eles (José Dirceu, presidente nacional do PT e deputado por São Paulo, e Luiz Inácio Lula da Silva, presidente de honra do partido) foram indefinidos; de certa forma eles amaciaram esta situação e facilitaram a manobra do presidente", analisou Brizola, referindo-se à reunião na Granja do Torto. Para o pedetista, "isso resultou num certo enfraquecimento de Itamar". Ao contrário das tímidas manifestações de apoio a Itamar que Brizola identificou nos governadores de oposição, a postura do PDT é de "irrestrita solidariedade" ao governador mineiro.
Brizola considerou que o presidente foi o "grande vencedor" no encontro com os representantes dos Estados. O pedetista avaliou que não houve resultado concreto na reunião. "O presidente Tancredo Neves costumava dizer que, quando você não quer resolver nada, você diz algumas coisas simpáticas e organiza uma comissão para estudar o assunto; imaginem que o Fernando Henrique organizou quatro comissões", relacionou Brizola, que concedeu entrevista à Rádio Guaíba, de Porto Alegre. O presidente do PDT disse que a opinião pública do País esperava do governador gaúcho, Olívio Dutra (PT), uma atitude mais "firme, em matéria de solidariedade" com Itamar, "dada a identidade das duas situações (retaliações aos dois Estados)". Quanto ao governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), a situação é diferente, segundo Brizola, pois "ele nunca assumiu pessoalmente uma posição mais firme como a de Olívio".
"Eu acho que a Carta de Porto Alegre foi para o lixo com esta reunião", afirmou. O documento foi redigido na capital gaúcha, no dia 5, e resumiu as reivindicações dos oposicionistas ao presidente. Brizola defendeu a saída de Fernando Henrique: "É um governo que nós temos de combater." Para o pedetista, "o povo brasileiro precisaria entender a situação em que nos encontramos, mobilizar-se e pedir a renúncia do presidente". Ele disse que "não há solução alguma dentro da Constituição, a não ser a renúncia".


