Rio, 05 (AE) - Na tentativa de selar um acordo de cavalheiros
o presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, almoçou hoje com o governador do Rio, Anthony Garotinho, e combinou que, daqui para a frente, nenhum dos dois falará mais em público sobre suas divergências. "Está havendo um grande esforço para nos dividir", afirmou Brizola, que não tem gostado nada do assédio do PSB e do PT a Garotinho. Na conversa, o presidente do PDT expressou sua irritação ao governador.
"Existem algumas regras básicas de convivência: nem os eleitos podem pôr o PDT debaixo do braço e desconsiderar as diretrizes partidárias e lideranças naturais nem o partido pode interferir no que é atribuição dos eleitos", argumentou Brizola. Sem querer comprar a briga de forma mais direta, ele ressaltou que estava falando em tese. "Minhas respostas são de um político inglês", brincou. "Invoco a boa prática partidária e deixo as conclusões para os meus interlocutores."
Mas o silêncio não foi a estratégia seguida por outros dirigentes pedetistas. Carlos Lupi, integrante da direção nacional do PDT, disse que o PSB praticou um "assédio indevido" ao anunciar a disposição de atrair Garotinho. "O PSB
que faz parte do governo Garotinho, está, no mínimo, sendo agente de um ato indecoroso", protestou Lupi.
O governador do Rio tinha uma reunião sigilosa com a cúpula do PSB fluminense no domingo, mas o encontro foi adiado para o dia 11. "Garotinho foi chamado para uma reunião com o PDT e chegamos à conclusão de que seria melhor adiar a nossa conversa com ele por uma semana, para que ficasse mais à vontade", contou Roberto Amaral, um dos vice-presidentes do PSB. Em São Paulo, a deputada federal Luiza Erundina (PSB) garantiu que Garotinho continua examinando a possibilidade de filiar-se às fileiras socialistas. "Não tem essa história de assédio: ele é bem grandinho, tem maturidade para decidir e, se vier, será bem recebido", observou a deputada.
Pré-candidata à Prefeitura de São Paulo, Erundina esteve hoje com o governador Mário Covas, no Palácio dos Bandeirantes, e disse acreditar que Garotinho poderá disputar, se quiser, a eleição presidencial de 2002 pelo PSB. O governador do Rio, porém, nega que vá sair do PDT. Ele costuma afirmar, em conversas reservadas, que pode esperar. Tudo depende do cenário político. No momento, Garotinho só quer que Brizola não interfira em sua administração.

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