Paris, 07 (AE) - O presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, afirmou hoje, em Paris que tem procurado facilitar a integração do PT na Internacional Socialista (IS), organização que reúne os principais partidos sociais-democratas europeus e dirigentes socialistas de todo o mundo, da qual ele é vice-presidente. Brizola disse que o partido já tem participado das reuniões como observador e não tem restrições a sua integração como membro efetivo. Observou, porém, que esse é um problema de sua direção.
Sua posição em relação ao PSDB, entretanto, é diferente. Brizola lembrou que o presidente da IS, Pierre Mauroy, já respondeu recentemente a essa questão, quando afirmou que o comportamento do partido não era o mais apropriado para integrar a IS como membro efetivo, pois fugia à lógica da Internacional.
Assim, Brizola acredita que Mauroy encerrou o debate. Para o pedetista, o presidente Fernando Henrique Cardoso, que tem antecedentes progressistas, desde que assumiu o poder evoluiu para uma aliança com as forças mais conservadoras do País. "Hoje o PSDB tem a cara da nova direita do Brasil", disse.
Garotinho - Brizola disse que voltou a ter de "cuidar de um garotinho, carregando-o no colo com suas manhas, artes e peraltices". O pedetista criou essa imagem para dizer que tem viajado muito pelo Brasil, mas não pode descuidar do Rio por causa desse "garotinho", referindo-se ao governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT).
Ele definiu suas relações com Garotinho como se ambos tivessem decidido "um cessar-fogo temporário". Para ele, as coisas estão melhorando nos últimos dias. Afirmou esperar que o governador leve em consideração a necessidade de manter um bom equilibro entre o que representa o governo e o partido.
"Garotinho pretendeu pôr o partido debaixo do braço, não soube distinguir entre o governo e o partido", disse Brizola, que reconheceu também ter cometido esse erro quando foi governador pela primeira vez no Rio.
Consequências - Brizola lamentou que o PT do Rio é que tenha sofrido as consequências com a crise na aliança fluminense
mas acredita que tudo vai normalizar-se. Indagado se por trás de tudo isso não estaria a sucessão presidencial, disse ser muito cedo para tratar da questão. Segundo ele, antes de mais nada é preciso que o governador faça um bom governo para credenciar-se.
Ele afirmou que, quando governador, deu muito poder ao então prefeito de Campos Antony Garotinho, mas ponderou que no plano estadual e federal as coisas mudam de figura. Nos países verdadeiramente democráticos, segundo Brizola, é preciso que haja um maior equilíbrio entre o poder dos governadores ou dos presidentes e o dos partidos que eles representam.

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