Brizola ameaça não apoiar PT nem no 2.º turno
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2000
Por Wilson Tosta 
Rio, 27 (AE) - O presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, ameaçou hoje não apoiar o PT na disputa pela prefeitura do Rio "nem no segundo turno", caso o comando nacional petista insista em cobrar o cumprimento de um suposto acordo fechado em 1998.
"Não insistam nisso", advertiu o pedetista, antes de um encontro com a vice-governadora Benedita da Silva, pré-candidata do PT. Na reunião, os dois combinaram que encerrariam a polêmica, mas, na entrevista, trocaram críticas. Brizola reclamou que os petistas não apóiam o PDT em nenhuma capital e Benedita afirmou que o argumento foi usado para ter apoio do PT em 1998.
Tanto o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, como o presidente nacional do partido, deputado José Dirceu (SP), afirmam que, na eleição passada, houve um acordo. Os petistas teriam combinado apoiar o então candidato do PDT a governador, Anthony Garotinho, em troca do apoio dos pedetistas a Benedita em 2000, na eleição municipal. Por causa disso, o comando nacional petista interveio no PT fluminense, cassou a candidatura do ex-deputado Vladimir Palmeira a governador e obrigou a seção local da legenda a apoiar o PDT. Este ano, o PDT afirmou que não houve compromisso e decidiu lançar candidato próprio.
Benedita saiu da reunião, de mais de duas horas, na sede nacional do PDT, no centro do Rio, falando em manter a discussão com os pedetistas ainda visando a uma aliança no primeiro turno, sem ficar presos à existência ou não do compromisso. "Acho que essa é uma das discussões que considero mais saudável, mais possível, que vai agregar muito mais do que ficar no disse-não-disse", declarou. A vice-governadora afirmou que ficou claro não haver atritos na aliança e que os entendimentos poderão continuar.
"O que me referi é que, se continuar a insistência que temos verificado nessa questão (na cobrança do acordo), isso realmente põe-nos numa situação de constrangimento e pode levar os nossos companheiros a uma situação de agravamento", afirmou Brizola, que reafirmou que o PDT terá candidato no primeiro turno. Ele disse esperar não haver rompimento definitivo e que os dois partidos possam se unir no segundo turno, mas lembrou que esse debate "tem duas mãos".
"Numa dessas, o fato novo pode ser admitir que o PT apóie o candidato do PDT, e seria o único no Brasil", declarou.
A provocação de Brizola levou Benedita a reagir. "Tem uma lista (de candidatos), estamos trabalhando", afirmou ela, rindo e negando que o PT não apóie o PDT em nenhum lugar. Brizola insistiu. "O único candidato que o PT apoiaria seria no Rio, não há nenhuma capital em que o PT esteja apoiando um pedetista." A vice-governadora foi irônica: "A gente tem de admitir a capacidade do governador de apresentar aqui o mesmo argumento que já foi apresentado para o governo do Estado (em 1998): O PT tem de apoiar o PDT; nós já apoiamos, agora, a gente vai tentar buscar esse apoio do PDT."
Brizola não desistiu. "Esse raciocínio nacional o PDT também leva em conta", disse, lembrando que, em 1998, o PDT apoiou o PT, no segundo turno, na disputa pelo governo gaúcho, vencida pelo petista Olívio Dutra.
Durante a reunião, Brizola criticou duramente o governo estadual e Garotinho, com quem tem se confrontado e que apóia a candidatura da vice-governadora. Brizola reclamou das operações policiais em favelas, que comparou às da ditadura, e da compra de armamento pesado, feita pelo governo estadual. "Essas armas não são para matar branco não, são para matar negros", disse ele a Benedita, que estreou na política em 1982, apresentando-se como "mulher, negra e favelada".


