Rio, 16 (AE) - O afastamento de um dos principais integrantes do grupo do governador do Rio, Anthony Garotinho, da executiva regional do PDT fluminense, a pedido do presidente nacional do partido, Leonel Brizola, abriu nova crise na legenda. O pivô é o subsecretário de Justiça, Antônio Oliboni, que trabalhou na captação de recursos da campanha de Garotinho (comandado pelo secretário do Gabinete Civil, Jonas Lopes, muito próximo do governador), e foi afastado oficialmente para não acumular postos no governo e na agremiação. O secretário da Administração, Hugo Leal, pode deixar a executiva nacional pelo mesmo motivo.
Foi o próprio Brizola que, em reunião da executiva regional, na segunda-feira, disse que Oliboni não poderia continuar a ser subsecretário de governo e secretário jurídico regional do PDT, por incompatibilidade das funções. Boni, então, disse que deixaria o posto no partido. Mas Brizola teria outro motivo para afastar Oliboni, sub do secretário da Justiça, Sérgio Zveiter, cuja nomeação contrariou Brizola. Zveiter é considerado pelos brizolistas um inimigo do PDT, porque em 1994, no governo do pedetista Nilo Batista, defendeu a intervenção das Forças Armadas para combater o crime no Estado.
Na reunião da executiva regional, houve reclamações contra a atuação política de Garotinho. A deputada estadual Cidinha Campos avisou que estava renunciando ao cargo de vice-presidente da Comissão de Orçamento da Assembléia Legislativa. A parlamentar queria presidir o órgão. O próximo lance da disputa deverá ter como centro a candidatura a prefeito do Rio: Garotinho apóia Benedita da Silva (PT), mas Brizola acenou com a possibilidade de o PDT ter candidato próprio, rompendo o acordo.
Hoje, os pedetistas mais próximos a Garotinho insinuavam que o processo de afastamento entre Brizola e Garotinho está se aprofundando. Brizola, porém, nega o racha à vista no PDT. Integrantes de seu grupo político garantiram que, se depender do presidente nacional da legenda, o governador continuará a ser pedetista. "Não há dúvidas que divergências existem no partido e no governo, que mal há nisso?", perguntou Brizola. "É um relacionamento democrático."
Brigas - Garotinho disse hoje que não foi à reunião da executiva porque estava reunido com sua equipe econômica para preparar a proposta de renegociação da dívida do Estado com a União. O governador afirmou também que os relatos sobre o encontro que vazaram para a imprensa não eram verdadeiros, mas admitiu que a reunião teve "algumas polêmicas" e resultou no afastamento de "algumas pessoas de seu grupo político" -cuja existência admitiu pela primeira vez. "Não acredito no que está transcrito no jornal", afirmou, referindo-se a críticas de Brizola. "Porque, se realmente ocorreu, é um fato muito grave." Ele defendeu ainda que o partido resolva suas divergências internamente, não em público.
O governador também negou a possibilidade de racha, mas reafirmou que tem divergências com Brizola. "As pessoas têm posições diferentes sobre determinados temas, como a renúncia do presidente Fernando Henrique Cardoso, a que Brizola é favorável, e eu sou contra", afirmou.

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