São Paulo, 11 (AE) - Pelo menos para a indústria nacional de brinquedos, as vendas do Dia da Criança deverão ser 10% maiores do que no ano passado. Nas lojas, o crescimento foi menor, porque caiu a participação dos importados. O presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), Synésio Baptista da Costa, estima que o mercado este ano será dividido em 75% para os fabricantes nacionais, 20% para os importados e 5% para o contrabando. No ano passado, a indústria nacional tinha 70% do mercado.
A data é a segunda mais importante para o setor, atrás apenas do Natal. "Muitas indústrias estão fazendo entregas de última hora para repor estoque", diz. Seguindo a tendência dos anos anteriores, a indústria brasileira produziu este ano uma maior quantidade de brinquedos mais baratos. Além disso, o setor beneficia-se da recuperação econômica no segundo semestre, justamente quando acontece a quase totalidade das vendas.
Entre as marcas, a Estrela ganhou a guerra comercial travada com a Mattel, fabricante da Barbie e de outros brinquedos antes produzidos no Brasil pela Estrela. A Mattel não tem fábricas no Brasil e traz todos os seus produtos da ásia. São da Estrela os quatro brinquedos de maior sucesso de vendas este ano: o boneco Furby, o relógio que fala C-Watch, o bebê Banhinho e os personagens do desenho animado japonês Pokémon.
Os dois primeiros sumiram das lojas desde a semana passada. Outro sucesso da Estrela é a Susi, "ressuscitada" pela empresa há dois anos para concorrer com a Barbie. O preço 20% do que a boneca americana faz muitos pais optarem por comprar a boneca nacional.
Especializadas - O movimento nas lojas especializadas foi intenso hoje, mas menor do que nos anos anteriores na véspera da data. "Este ano as vendas foram mais diluídas ao longo da semana", diz o proprietário da rede PB Kids, Carlos Cimerman.
Ele está conseguindo um crescimento de 7% nas vendas, considerando as mesmas lojas. O tíquete médio (média de gastos por pessoa) é de R$ 60,00. Cimerman acha que as compras foram antecipadas este ano por causa do feriado prolongado, por isso o movimento não foi tão concentrado na véspera.
Nas Lojas Americanas, líder do mercado de brinquedos com mais de 20% das vendas, o crescimento sobre o ano passado foi de 27%. A rede, com 87 lojas, comprou um estoque de brinquedos 30% superior ao de 98, dos quais 20% eram brinquedos importados.
A rede se beneficiou também do fechamento das lojas Mappin e Mesbla, também grandes vendedoras de brinquedos, que estavam na maioria localizadas em shoppings onde as Lojas Americanas também estão presentes.
Nos shopping centers, as vendas cresceram 8,5% e o movimento de consumidores foi 10% maior, de acordo com a Associação Brasileira dos Shopping Centers (Abrasce) .
Na Ri-Happy, rede com 42 lojas em seis estados brasileiros, o faturamento por loja deve ser menor do que no ano passado. "Se ficar igual já vai ser muito", diz o proprietário
Ricardo Sayon, que no início do ano esperava um crescimento de 10%.
Ele diz que o tíquete médio caiu de R$ 42,00 para R$ 40 00 este ano, com um valor médio de R$ 18,00 em cada produto. "As pessoas querem comprar, mas estão sem dinheiro", diz. Na Ri-Happy, 80% das vendas estão sendo pagas com cartão de crédito
em três vezes sem acréscimo.
O maior concorrente do Dia da Criança, para Sayon, foi a Mega Sena acumulada, que ficou com parte dos recursos que poderiam ser destinados à compra dos presentes. "As pessoas primeiro passavam na lotérica para jogar e depois iam comprar brinquedo", argumenta. "Muito desse dinheiro que foi para as apostas deveria ter ido para comprar brinquedo."
As lojas especializadas devem ficar abertas hoje, mas tradicionalmente as vendas são fracas nesse dia. "É o dia dos esquecidos, em que as pessoas compram presentes para sobrinhos e filhos de amigos", diz Sayon.

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