Teresina, 9 (AE) - O procurador geral da República, Geraldo Brindeiro, chega amanhã (10) a Teresina para acompanhar de perto o desenrolar das investigações sobre o crime organizado no Piauí. Ele determinou que o procurador Roberto Almeida, do Rio Grande do Norte, acompanhe as investigações.
Brindeiro chegará na noite de domingo e, na segunda-feira, deverá se reunir logo pela manhã com o procurador Tranvavan Feitosa, responsável pelas investigações que resultaram no dossiê do crime organizado. Uma cópia do documento
onde estão transcrições de 321 fitas, já foi encaminhada a ele.
Na segunda-feira também devem se reunir os desembargadores para decidir o destino dos juízes Francisco das Chagas Moreira e Orlando Pinheiro. O juiz Pinheiro é titular da Primeira Vara Criminal de Teresina e a ele deveriam ser encaminhados os pedidos de prisão contra as pessoas citadas no dossiê do crime organizado. Por isso, o procurador geral de Justiça, Antonio Linhares, considera difícil prender quem quer que seja enquanto o juiz estiver no exercício do cargo.
O presidente do Tribunal de Justiça do Piauí, desembargador Augusto Falcão, tem reiterado que não vai afastar os juízes "baseado em recorte de jornais".
A Polícia Federal vai intensificar as investigações sobre 38 pessoas citadas no dossiê. Entre elas, dois irmãos e a filha do Viriato Correia Lima, considerado líder do crime organizado.
Lima está preso há dois dias no Quartel do Comando da Polícia Militar. Ele recebe visitas a todo instante no quarto em que está detido e onde tem o conforto de uma cama, um aparelho de TV e condicionador de ar.
A falsificação de notas fiscais, um dos crimes do bando, vai ser investigada também pela Delegacia de Crimes contra o Fisco. O Tribunal de Contas pediu a relação de empresas que falsificam notas para cruzar as informações com os balancetes apresentados pela prefeituras e do Gabinete Militar. As notas fiscais falsificadas eram usadas para "maquear" balanços e justificar desvio de recursos de programas federais de saúde e educação.

mockup