Brindeiro quer manter prisão preventiva de Talvane
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de abril de 1999
Por Liege Albuquerque 
Brasília, 16 (AE) - O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, solicitou hoje ao Supremo Tribunal Federal (STF) a manutenção da prisão preventiva do ex-deputado Talvane Albuquerque (PTN-AL), suspeito de ter sido o autor intelectual do assassinato da deputada Ceci Cunha (PSDB-AL), em dezembro passado. Ele pediu também a abertura de inquérito para investigar o deputado Remi Trinta (PL-MA), acusado de racismo.
Albuquerque foi preso no dia seguinte à sua cassação pela Câmara e transferido para Alagoas, como suspeito por outro crime. O ex-deputado está envolvido na tentativa de assassinato de um radialista em Maceió, em 1994.
O despacho de Brindeiro aponta três fatos para decretar a prisão preventiva do ex-deputado como mandante da execução de Ceci e mais três parentes, no dia 16 de dezembro do ano passado, em Maceió. São eles: o envolvimento de três ex-assessores de Albuquerque, declarados supostos executores da deputada tucana; o automóvel Santana utilizado na fuga dos assassinos, de propriedade do cunhado do ex-deputado; e porque foi comprovado que antes da execução os autores do crime estavam reunidos no apartamento de Albuquerque. O procurador acredita que caso Talvane seja libertado, sendo inocentado ou conseguindo um habeas corpus por conta do outro crime, pode prejudicar o processo sobre a morte da deputada.
Caso o Supremo acolha o pedido do Ministério Público Federal de abertura de inquérito sobre Remi Trinta, ainda restará a etapa mais difícil: conseguir licença da Câmara para o STF processá-lo. Desde 1988, nenhuma licença foi concedida ao Supremo. Trinta é acusado de racismo. Em um vôo Belém-São Luíss da Transbrasil, no dia 31 de janeiro deste ano, o deputado teria agredido um co-piloto, acusando-o de ser "complexado por ser negro". Assim como no caso que culminou com a cassação do ex-deputado Talvane, a própria Câmara já tomou a iniciativa de investigar a acusação sobre Trinta. Desde a semana passada ele é alvo da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), quando foram ouvidas testemunhas da agressão.
É esperada para esta semana a decisão da Procuradoria sobre o pedido do Supremo de abertura de processo contra o deputado Hidelbrando Paschoal (PFL-AC) - que, aceito pelo STF, teria de seguir para o pedido de licença à Câmara. O deputado, num inquérito da polícia acreana, é suspeito de liderar um esquadrão da morte no Acre, responsável por mais de 40 assassinatos.


