Brasília, 26 (AE) - O deputado federal Vanderley Martins de Brito (PDT-RJ), sub-relator da CPI do Narcotráfico, pode voltar a ser investigado por ter aparecido em uma gravação em vídeo conversando com o traficante Walter Gomes de Carvalho Filho, conhecido como Waltinho, num churrasco na Favela de São Lourenço
em São Gonçalo, Rio de Janeiro, em maio de 1997. O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, encaminhou hoje um parecer ao ministro Moreira Alves, do Supremo Tribunal Federal (STF), opinando que as investigações iniciadas pela Polícia Federal (PF) de Niterói devem prosseguir para verificar se o deputado cometeu crimes como prevaricação e corrupção passiva.
Brindeiro pede que a PF convide o deputado a prestar depoimento. O procurador também quer que os policiais ouçam o traficante. que atualmente está na Penitenciária de Bangu I, no Rio.
Quando participou do churrasco na Favela de São Lourenço, Vanderley estava em campanha eleitoral. O evento foi organizado para comemorar a inauguração de um posto de saúde. Na ocasião, o deputado foi filmado conversando por cerca de cinco minutos com Waltinho que, segundo Brindeiro, era notório líder do tráfico de entorpecentes na região e estava foragido. O procurador descreve que, num determinado momento, o deputado chegou a colocar o "dedo em riste" em direção a Waltinho.
Brindeiro ressaltou em seu parecer que, na época, o deputado não estava licenciado do cargo de delegado da Polícia Federal e que Waltinho estava foragido da Justiça e era conhecido na Delegacia da Polícia Federal em Niterói desde junho de 1993.
O inquérito aberto na época não foi concluído porque Vanderley foi eleito deputado federal. Como a Constituição estabelece que os inquéritos contra parlamentares devem tramitar no STF, o juiz da 4ª Vara Federal de Niterói se considerou incompetente para continuar a acompanhar as investigações e determinou o encaminhamento do caso para o Supremo.

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