Brindeiro pede ao STF que PF investigue se Augusto Farias mandou matar PC
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de fevereiro de 2000
Por Mariângela Gallucci 
Brasília, 23 (AE) - O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, quer que a Polícia Federal (PF) investigue se o deputado federal Augusto Farias (PPB-AL) é o autor intelectual das mortes do irmão Paulo César Farias, o PC, e da namorada dele
Suzana Marcolino. Os pedidos de diligência foram encaminhados hoje ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Brindeiro. Para Brindeiro, diversos elementos indicam a participação do deputado no duplo homicídio.
De acordo com o procurador, ficou provado que Augusto Farias foi a última pessoa que conversou com PC e Suzana e o primeiro a chegar ao local do crime.
Brindeiro também considera que existem fortes indícios de que o deputado foi responsável pela alteração da cena do crime, determinando a queima do colchão e dos lençóis da cama na qual estavam os mortos.
Os policiais que faziam a segurança da casa de PC na madrugada e na manhã das mortes não foram dispensados nem acusados por Augusto Farias, ressalta Brindeiro. "Ao contrário, o deputado federal Augusto Farias vem empenhando-se sobremaneira em os defender", opina o procurador.
Brindeiro também ressaltou o relacionamento entre os irmãos. De acordo com testemunhas, vinham ocorrendo discussões sobre o controle dos negócios de PC.
O procurador lembrou a suspeita de que a perícia realizada pelo médico-legista Fortunato Badan Palhares tenha sido deliberadamente falseada. Segundo Brindeiro, essa suspeita baseia-se no fato de o legista "ter faltado com a verdade" no depoimento, ao afirmar que teria realizado exame para determinar a altura de Suzana. Mas, de acordo com integrantes da equipe de Palhares, isso não ocorreu.
Por esse motivo, Brindeiro quer que a PF investigue se a perícia realizada por Palhares teve o objetivo de conseguir a impunidade de Augusto Farias. O procurador pediu a realização de três diligências pela PF: perícia no material proveniente da quebra dos sigilos fiscal e bancário de Palhares, inquirição de algumas pessoas e acareação entre Palhares e integrantes da equipe dele sobre a realização ou não do exame para medir Suzana.


