Brasília, 01 (AE) - O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, requisitou hoje ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito policial para indiciar o deputado José Aleksandro da Silva (PSL-AC), o Zé Alex, acusado pelo Ministério Público (MP) do Estado de prática de crime de peculato e falsificação de documento público. Brindeiro também pediu ao STF a quebra do sigilo bancário de Zé Alex, da vereadora Gisélia Nascimento, que preside a Câmara de Rio Branco
do tio do deputado, José Filho de Andrade, e do funcionário don Legislativo municipal Alberto Carlos de Albuquerque.
Zé Alex assumiu a vaga do ex-deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC), cassado por quebra de decoro, quando ainda estava filiado ao PFL.
Pascoal está preso e é apontado como o cabeça de uma quadrilha de narcotraficantes. Em 1999, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara pediu a cassação de Zé Alex, alegando ter o deputado mentido ao depor à comissão. A denúncia de hoje é a terceira contra Alex desde a posse dele, em 4 de novembro. A Procuradoria denunciou o deputado por crime de falsificação de documentos e por simular a impressão de material da Câmara de Rio Branco.
Zé Alex é acusado de falsificar documentos de suposto curso que teria participado na Escola Superior de Administração Fazendária (Esaf), em Brasília, na época em que era vereador em Rio Branco, o que, segundo denúncia do MP do Acre, rendeu ao deputado e ao tio dele R$ 6.200,00 em diárias e R$ 1.600,00 em suposto pagamento e taxa de inscrição, mais passagens aéreas entre o Acre e o Distrito Federal.
No pedido ao STF, Brindeiro afirma que a documentação apresentada por Zé Alex para justificar os gastos com o curso da Esaf é totalmente falsa. Com base nesse fato, a Procuradoria-Geral da República pediu ao presidente do STF, ministro Carlos Velloso, o indiciamento do deputado, além da convocação para depor na Polícia Federal (PF). Brindeiro pede ainda para a PF ouvir os outros três envolvidos no escândalo e autorização do tribunal para a quebra do sigilo bancário da Câmara de Rio Branco, no período de julho a agosto.
Zé Alex também foi denunciado na Corregedoria-Geral da Câmara por usar indevidamente documento assinado pelos senadores Jorge Bornhausen (PFL-SC) e Jáder Barbalho (PMDB-PA), presidentes nacionais dos respectivos partidos, para intermediar verbas federais e pedir o boicote de recursos ao Acre, governado pelo adversário Jorge Viana (PT). Ameaçado de ser expulso do PFL
o deputado mudou de legenda, filiando-se ao PSL.