Brasília, 19 (AE) - O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, defendeu hoje a atuação de procuradores nas investigações envolvendo os Bancos Marka e FonteCindam, os controladores das duas instituições e o ex-presidente do Banco Central (BC) Francisco Lopes. Brindeiro disse que a Justiça Federal autorizou a Polícia Federal (PF) a fazer as buscas e apreensões pedidas pelo Ministério Público (MP). "O que pode haver controvérsia é o fato de o procurador (Bruno Acioli) ter acompanhado as diligências", afirmou o procurador-geral, sem querer declarar se os atos praticados pelo MP foram legais.
Brindeiro deve encontrar-se amanhã (20) com os procuradores que estão envolvidos no caso. A Associação Nacional dos Procuradores da República divulgou hoje uma nota de esclarecimento, afirmando que os atos dos procuradores "foram todos praticados com base no Código de Processo Penal Brasileiro". A entidade classificou como "injusta" a indignação de autoridades do governo afirmando que a PF não está obrigada a cumprir decisões do Poder Judiciário Federal.
O procurador-geral da República não quis comentar declaração do ministro da Justiça, Renan Calheiros, de que a PF não vai mais acompanhar o MP em diligências. Mas disse que as diligências realizadas no Rio não foram requisições do MP à PF. "Perguntem ao ministro Renan Calheiros como se faz uma diligência sem a Polícia Federal", disse. Além dos aspectos legais, há por trás dos fatos uma rivalidade antiga entre o MP e a PF. O MP exerce o controle externo da PF, conforme está previsto na Constituição Federal. "O Ministério Público não abre mão do controle externo", disse Brindeiro.
Procuradores que participam das apurações reclamam que autoridades do governo tentam conter as investigações. Um exemplo disso seria as tentativas de centralizar o caso em Brasília. Além dos procuradores do Distrito Federal, estão envolvidos no caso os do Rio. O coordenador dos trabalhos no Distrito Federal, Guilherme Schelb, negou que haja uma disputa interna no MP pelo caso.
Ao mesmo tempo, ele disse que a investigação no Distrito Federal começou em janeiro e a do Rio, "só há 20 dias". O procurador acrescentou que os procuradores cariocas somente podem concentrar os trabalhos nas atuações dos Bancos Marka e FonteCindam e apenas quanto ao crime de gestão temerária. Schelb acredita que os procuradores do Distrito Federal têm competência para ficar com o restante do trabalho, que inclui ações por corrupção.
O procurador reconheceu que há falta de comunicação entre os membros do MP. "Muitas vezes, eles estão chovendo no molhado", afirmou Shelb numa referência aos colegas cariocas. Também criticou o clima de disputa existente dentro do MP ao dizer que, se ele estivesse no Rio, teria proposto a ação, pois existem elementos suficientes na investigação. Schelb disse que um pedido para sequestro dos bens dos suspeitos é uma medida possível, mas o procurador não quis revelar se vai ser feito pelo MP.

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