Brindeiro alerta a PF contra ameaças
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quinta-feira, 18 de junho de 1998
Agência Estado 
O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, voltou ontem a cobrar do diretor da Polícia Federal (PF), Vicente Chelotti, investigações sobre as ameaças sofridas pela procuradora da República em São Paulo, Maria Cristina Simões Amorim - encarregada de investigações do assassinato do corregedor da PF, Alcioni Serafim Santana. A obrigação de investigar é dele (Chelotti), eu não tenho que dar nome coisíssima nenhuma, afirmou Brindeiro. Eu não vou aguardar que ela seja assassinada para depois pedir providências, completou.
As declarações do procurador-geral da República são uma resposta à nota divulgada na véspera pela Polícia Federal, em que Chellotti exigiu de Brindeiro nomes dos suspeitos das ameaças à procuradora. Na terça-feira, Brindeiro, preocupado com ameaças de morte que Maria Cristina estaria recebendo, supostamente de policiais federais, pediu ao ministro da Justiça, Renan Calheiros, uma limpeza nos quadros da PF em São Paulo. As novas declarações de Brindeiro, ontem, são mais um ingrediente na polêmica em torno das investigações sobre a morte do corregedor da PF. Santana investigava casos de corrupção na Polícia Federal quando foi assassinado.
O presidente Fernando Henrique Cardoso determinou ao ministro da Justiça, Renan Calheiros, que leve a sério, até o fim as apurações sobre denúncia de corrupção nos quadros da Polícia Federal. Fernando Henrique defendeu a aplicação de punições severas aos envolvidos em supostos casos de desmandos e extorsão. Tem que demitir, afirmou o presidente. Fernando Henrique chegou a São Paulo por volta de 16 horas de ontem, para passar seu aniversário em família. Ao desembarcar no Aeroporto de Congonhas, falou sobre acusações de irregularidades da PF.
FHC preferiu não comentar declarações atribuídas ao governador Mário Covas, que teria dito que parte da responsabilidade sobre chacinas como a de Francisco Morato, com 11 mortos e 4 feridos na madrugada de quarta-feira(V. pág.7) caberia à PF. Covas teria dito que a PF não estaria combatendo eficientemente o narcotráfico e o contrabando de armas. Se o governador do Estado disse, deve estar bem dito, declarou Fernando Henrique. Ele está baseado em alguma informação.


