Brincar para ter saúde
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domingo, 22 de março de 2009
Adriana Bifulco<br> Agência Estado 
É mais fácil ver crianças no computador, jogando videogame ou com os olhinhos ''grudados'' na TV, assistindo à programação de canais como Cartoon Network, Nickelodeon e Discovery Kids, do que brincando de esconde-esconde, empinando pipa ou pulando corda. Os pequenos passaram a ter uma vida mais sedentária, contrariando a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), de 60 minutos de atividade física por dia, ou cinco horas semanais.
Por isso são importantes as aulas de Educação Física, propostas pelo roteiro escolar, que agem positivamente no desenvolvimento da meninada, assim como matriculá-los em aulas de natação, dança e judô, por exemplo. ''São recomendados pelo menos 30 minutos de atividades dirigidas por dia. Os pais devem observar o aprendizado dos filhos e elogiar seu desempenho. Mas eles não devem ser obrigados a praticá-la. Tem que ser algo prazeroso. Também é aconselhável duas horas por dia de atividades lúdicas executadas pela própria criança, aproveitando sua cultura, a cultura do meio em que vive e sua imaginação'', enfatiza o personal trainer João Paulo Faustino.
Em casa ou no parque
A família também deve estimular as brincadeiras, de acordo com Pablius Staduto Braga Silva, médico coordenador de Atividade Física do Programa de Promoção de Saúde da Fleury Gestão de Saúde, em São Paulo. ''Se não há como sair, o pai e a mãe devem inventar brincadeiras dentro do apartamento mesmo, criar jogos em casa ou levar os filhos a parques. Também é importante que eles explorem o mundo. Nada substitui o andar na grama, na areia, na terra'', afirma.
Nessas horas, quem determina o tempo de duração da atividade é a própria criança. ''Brincar não tem limite. São elas que determinam o tempo de duração da brincadeira'', diz Gustavo Foronda, medico cardiologista pediátrico e pediatra do Hospital Sírio Libanês. Segundo o especialista, ao brincar os baixinhos aprendem a conviver em equipe e sociedade, a ganhar e perder, desenvolvem a musculatura e fortalecem os ossos.
Benefícios
Além disso, praticar atividade física, de acordo com João Paulo, melhora a qualidade do sono, de vida, a coordenação motora, incentiva a sociabilização e o entendimento das regras, como também desenvolve os lados afetivo-motor e cognitivo.
''Quando os pequenos começam a se exercitar desde cedo, são menores as chances de ficarem obesos e desenvolverem doenças cardíacas'', declara Silva.
Segundo Foronda, a prática de esportes também diminui a possibilidade de a criança ter hipercolesterolemia (colesterol alto) e triglicérides mais elevados.
No entanto, de nada adianta incentivar a galerinha a se mexer, se os pais não forem referência para eles. ''A criança absorve muito do meio. Ela incorpora os hábitos da família. Uma boa razão para os filhos praticarem esportes é saber que seus pais também o fazem. Eles são referência, os ídolos'', garante Silva.
A hora certa
Existem esportes que são indicados para qualquer faixa etária. É o caso da natação, que pode ser praticada a partir dos seis meses. ''O bebê faz aula acompanhado pela mãe ou pai'', explica João Paulo. ''Esse início precoce facilita a adaptação ao meio líquido, melhora a capacidade cardiopulmonar, a habilidade motora e a sociabilização'', afirma.
As atividades que requerem preparo físico específico, como vôlei, futebol e basquete, por exemplo, só podem ser realizadas a partir dos 6 anos, de acordo com Silva. Depois dessa fase é que a turminha começa a aprender regras, desenvolver reflexos e ganhar massa óssea para treinar'', diz.
''Já a musculação está liberada a partir dos 16, 18 anos, quando a fase de crescimento está se encerrando e o risco de lesões é menor'', finaliza Gustavo Foronda.


