Brincadeira de FHC pode render antipatia de empreiteiros
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de abril de 1999
Por Gerson Camarotti Enviado especial 
Lisboa, 17 (AE) - Por causa de uma piada, o presidente Fernando Henrique Cardoso corre o risco de perder boa parte dos financiadores de sua campanha e ganhar a antipatia de mais um segmento da sociedade: os empreiteiros. Em visita feita hoje à tarde na exposição "Brasil na Torre do Tombo", do Instituto dos Arquivos Nacionais (Portugal), Fernando Henrique deixou escapar uma brincadeira ao deparar-se com o documento do século XVI sobre a nomeação de Francisco Gonçalves para "pedreiro mestre" das obras da fortificação de Dom Sebastião, na cidade do Rio de Janeiro. "Pedreiro naquela época era o nosso empreiteiro de hoje, mas roubava menos", alfinetou Fernando Henrique, com o seu humor irônico.
Ao sair da exposição, mesmo sendo questionado por um assessor, o presidente confirmou as declarações feitas no início da visita. "Espero que eles (mestres-pedreiros) roubassem menos", brincou mais uma vez Fernando Henrique. Durante a exposição com documentos sobre a história do Brasil e Portugal nesses quinhentos anos, o presidente demonstrava interesse por todos os documentos apresentados e aproveitava todas as oportunidades para não deixar escapar nenhuma piada.
Nem os amigos foram poupados. Ao observar um documento de Mariana no século XVIII, Fernando Henrique disparou. "É da terra dele", disse o presidente apontando para o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga. "Mas é uma terra que não tem muito valor", completou o presidente. Quando passou em frente a carta do escrivão Pêro Vaz de Caminha informando ao rei de Portugal, Dom Manuel I, a descoberta do Brasil, o presidente não se conteve. "Essa é a famosa aqui se plantando tudo dá", disse Fernando Henrique arrancando sorrisos até do primeiro-ministro português, António Guterres.
Até a igreja não escapou do "veneno" presidencial. Num certo momento, a curadora da exposição explicou que as pessoas daquela época tinham interesse de participar da Ordem de Cristo, mas não por vantagem monetária e sim por poder. Imediatamente, Fernando Henrique pegou a deixa e completou antes da curadora terminar a frase. "Já sei como é isso; é assim até hoje".


