Paris, 20 (AE) - A revista Paris-Match tem o hábito de publicar matérias com direitos exclusivos mundiais. Nesta semana , sua "exclusividade" é fascinante, pois se trata do segundo volume de memórias de uma estrela mítica, Brigitte Bardot, que deixou a ribalta em plena glória, aos 39 anos, e se retirou à sua casa em Saint-Tropez para dedicar-se, a partir de então e acima de tudo, aos animais (filhotes de focas, porcos, carneiros, gatos,cães, etc.) Portanto, Brigittte tem a palavra. Não nos referimos ao seu estilo.
Afinal, ela não tem culpa disso... Mas de suas revelações. E aqui está, por exemplo, uma delas, que se refere ao ex-presidente da RepúblicaValéry Giscard dEstaing. Em 1974, Giscard apresentou-se como candidato às eleições presidenciais. B.B. gostava muito dele e empregou toda a sua influência em favor de Giscard. "Imediatamente", diz Brigitte, com simplicidade, "toda Saint-Tropez se inclinou a favor dele: Giscard tem a vantagem. E Giscard foi eleito."
Algum tempo depois, uma colega de B.B., Christina von Opel, foi envolvida - injustamente, segundo B.B. - num caso de tráfico de drogas. B.B. ficou indignada e correu a Paris para falar com o presidente da república. Giscard dEstaing a recebeu.
Giscard começa dizendo: "Como vai seu coração, cara Brigitte? "Vai mal, Valéry, e é por isso que estou aqui." "E Valéry coloca a mão sobre minha coxa, pensando que um problema de amor me havia levado até ele." B.B. esclarece imediatamente Valéry. Fala-lhe a respeito da infeliz Christina von Opel, daquela história da droga. Giscard explica a B.B. a regra sacrossanta da "separação dos poderes". B.B. insiste: "Valéry, se você me ama um pouquinho que seja, faça alguma coisa por ela, eu lhe suplico."
"E Valéry passa uma vez mais a mão sobre minha coxa e me pergunta se podia fazer alguma coisa por mim." "Você tem combustível suficiente?( era o ano em que faltava combustível e óleo para calefação). "Sim, Valéry, eu lhe agradeço."
Deixando de lado esse fabuloso documento sobre a história da França contemporânea, o que resta desse segundo volume das memórias de B.B.? O que nele eu li me causa um pouco de embaraço. B.B. não escreve como um William Faulkner, muito menos como James Joyce, mas ela é muitas vezes mais obscura do que esses dois escritores juntos. Sobretudo quando narra suas aventuras sentimentais, porque existe certa confusão no caso dos jovens envolvidos...
Essas aventuras são violentas. Assim, falando de um tal Philippe G., ela diz: "Nós nos devorávamos com os olhos, com nossos sentidos ao vivo, nosso amor à flor da pele. O golpe fuminante nos imobilizou... Estávamos crucificados."
Mas, depois que esse "golpe fulminante" terminou e depois da descida da cruz, a vida cotidiana com Philippe não estava livre de espinhos e B.B. conheceu outra pessoa, um tal Mirko, que tem "um grande chapéu de feltro preto".
Nesse caso também, há esse raio, esse golpe fulminante, essa crucificação, mas depois de quatro anos esse relacionametno fica meio difícil. Um dia, Mirko atira sobre a cabeça de B. B. uma escultura de aço, que arranca seu couro cabeludo.
A agitação de Mirko é considerável. Por exemplo, ele tenta suicidar-se usando um meio estranho: joga sobre a própria cabeça grandes blocos de argamassa, mas isso lhe causa apenas um grande inchaço, um "galo" enorme.
O problema é que Mirko era muito ciumento, mesmo quando B.B. não o enganava completamente. Que fazer nessa situação extrema? B.B. usa grandes meios. Escolhe um amante. "Ele tinha a idade de meu filho, mas era brasileiro e tocava guitarra", diz B.B.
Infelizmente, nem o Brasil nem a guitarra agradavam a Mirko, cujo ciúme aumentou ainda mais. Então B.B. contra-ataca: arranja outro amante ("muito melhor que o anterior"). Mas isso não dá certo: o novo amante também é ciumento, tem ciúme de Mirko...
Foi depois desses tórridos episódios que eu abandonei a leitura dessa "exclusividade mundial" (O livro se chama Le Carré de Pluton e foi publicado pela editora Grasset.)

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