Brigas de galo legais atraem grandes multidões e a ira dos opositores
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quarta-feira, 06 de outubro de 1999
Por Jay Hughes 
MULDROW, Oklahoma (AE-AP) - Enquanto o primeiro par de galos-de-briga apresenta-se brevemente na rinha, a multidão começa a agitar-se. Os aficcionados nas arquibancadas têm um momento para avaliar os pássaros e logo começam a fazer suas apostas.
"Vinte no daquele lado", grita um homem com chapéu de palha, colocando seu dinheiro num galo marrom com penas verde escuro na cauda.
"Coloque US$ 80, coloque 80", gritam diversas pessoas. Isto significa que eles oferecerão arriscar US$ 100 contra os 80 do tomardor. A briga. O promotor pega as aves pelas costas.
Os arranjos são feitos em um minuto ou dois, o tempo necessário para que os treinadores coloquem as aves em posição. O barulho pára enquanto os lutadores de penas são colocados a 2,4 metros um do outro, no solo sujo da rinha.
Um curto olhar e as aves lançam-se uma contra a outra, atacando, numa explosão de asas zunindo, ferindo as patas, num caleidoscópico redemoinho de penas. A dança furiosa acaba em dois minutos. Um gota de sangue cai do corpo do galo perdedor enquanto o treinador o retira da rinha.
O dinheiro muda de mãos silenciosamente agora. A multidão, que assistiu á luta com a mesma atenção para qualificar e detalhar a atuação das aves, como devem fazer os espectadores num show de cachorros, apronta-se para a próxima luta entre os galos com ganchos de aço ou lâminas amarradas nas suas esporas. Dentro de horas, alguns apostadores estarão abanando rolos de notas bancárias.
Este é o 3º Campeonato Mundial de briga de galo no Mid- America Game Club. Os cinco dias de "derby" uniram mais de 100 criadores de galos de todas as partes do país, que pagaram US$ 6 mil de taxa de inscrição para colocar seus animais na rinha e competir por centenas de milhares de dólares em prêmios em dinheiro.
Os criadores domésticos afirmam que geralmente vendem seus galos para outros países. A maioria é envidada para nações das Américas Central e do Sul, Pacífico e ásia. Eles dizem que os mercados mais ativos são México, Guam (uma ilha do Oceano Pacífico) e as Filipinas.
Nos EUA, a lei permite a organização de brigas de galo em Oklahoma, Louisiana e Novo México. Porém, aqueles são a favor e os que são contra no estado de Oklahoma estudam as atitudes do grupo opositor, enquanto preparam-se para discutir se a prática continuará a ser permitida. Como os galos, nenhum dos lados está disposto a entrar num acordo.
"As pessoas sabem de que lado estão. Não há uma área indeterminada", diz Wayne Pacelle, vice-presidente da Sociedade Humanitária dos Estados Unidos.
Os oponentes dizem que a briga de galos é cruel e desumana, morte em nome do entretenimento. Um abaixo-assinado, com o objetivo de colocar a questão nas eleições estaduais de 2000 e persuadir os eleitores a criminalizar a prática, teve início no dia 13 de setembro.
Já os que apóiam, dizem que a briga de galo é um esporte e, mais do que isso, parte de sua herança, geralmente passada de uma geração para outra. Os que estão de fora, eles dizem, estão tentando ditar a maneira como eles levam suas vidas
No ano passado, campanhas dos grupos de defesa dos animais conseguiram acabar com as brigas de galo em Missouri e Arizona, mas, até o momento, leis similares não têm sido aceitas nos três estados onde a luta permanece legal. Apenas Oklahoma adotou a iniciativa de organizar um plebiscito.
Os organizadores do abaixo-assinado têm até 11 de dezembro para reunir 69.888 assinaturas de eleitores registrados. Eles apostam em 100 mil. Cynthia Armstrong, presidente da Federação Humanitária de Oklahoma, uma organização que representa cerca de 30 grupos, acredita que a medida irá provocar o plebiscito e ser aprovada
"As lutas de animais são por si mesmas sem sentido", diz ela. "E certamente não deve ser algo porque nós de Oklahoma queremos ser conhecidos".
Muitos dos envolvidos nas brigas de galo dizem que eles são atraídos mais pelas aves do que pelas lutas. "É a admiração pelas características das aves", diz Jim Tyler, dono de um laboratório dentário. "Essa coragem, essa absoluta disposição".
As brigas, dizem os torcedores, são a única forma de provar tais qualidades. Esta é a razão pela qual rinhas como a do Mid-America Game Club existem. Localizada ao norte de Muldrow, perto da linha do Arkansas, é muito mais do que um não iniciado pode esperar. A estrutura de metal na estrada de terra é maior do que muitos ginásios de escolas secundárias. Durante o Campeonato Mundial, pode-se observar veículos de todos os cantos do país estacionados do lado de fora. Os espectadores pagam suas entradas de US$ 21 no salão, além de US$ 10 para unirem-se ao clube e á Associação dos Jogos dos Criadores de Oklahoma, procedimento obrigatório para quem deseja ver os "jogos". O salão leva para o restaurante, mas há também uma loja de presentes.
Todo o local é equipado com monitores do circuito fechado de televisão, de maneira que os clientes não percam as lutas. Mas toda a atividade aqui gira em torno da rinha, um quadrado sujo de 6 metros por 6, encaixado numa gaiola e rodeado por arquibancadas vermelhas, brancas e azuis, capazes de comportar 610 pessoas.
Cada luta começa com os treinadores "reconhecendo" as aves, segurando-as cara a cara. As aves eriçam as penas de seus longos pescoços, numa atitude de desafio. O árbitro verifica as armas amarados em cada pata para igualar qualquer disparidade na extensão da espora, para que o procedimento seja rápida e limpo.
Em algumas lutas, os galos são equipados com ganchos, armas longas semelhantes a agulhas e, em outras, uma lâmina de aço é amarrada á pata esquerda.
Lutas com ganchos tendem a demorar mais, algumas vezes, mais de meia hora. O perdedor sobrevive ocasionalmente, pois sua natural inclinação para brigar até a morte é superada pela fadiga.
Em brigas com facas, quando são usadas lâminas de 2 a 7.6 centímetros, um golpe fatal geralmente acontece dentro de poucos minutos.
Se os galos ficam engalfinhados, os treinadores os separam e os colocam novamente no chão, desta vez a 56 centímetros de distância, de acordo com as regras estabelecidas. Se um vencedor sofre ferimentos, há uma pessoa próxima para costurar os machucados por US$ 20 mais ou menos, a versão da briga de galo para o homem que cuida dos ferimentos dos lutadores de boxe.


