Brigadas Vermelhas criticam ataques da Otan contra Iugoslávia
Roma, 21 (AE-ANSA) - As Brigadas Vermelhas criticaram a campanha militar da Otan contra a Iugoslávia, qualificando-a de imperialista, no documento de 28 páginas enviado a dois jornais italianos na quinta-feira para reivindicar a autoria do assassinato do alto funcionário do Ministério do Trabalho, Massimo DAntona, nesse mesmo dia.
Três grupos extremistas informaram ter sido os responsáveis, mas a polícia confirmou que a ação tem todas as características das realizadas pelos brigadistas nos anos 70 e 80. Trazia um selo com uma estrela de cinco pontas, símbolo histórico da organização terrorista. No entanto, a ex-brigadista Adriana Faranda disse que o documelho lhe parece falso porque nenhum ex-militante iria recriar a organização. Ela passou anos na prisão por ter sido uma das carcereiras do presidente da Democracia Cristã, Aldo Moro, sequestrado e morto pelas Brigadas em 1978.
As autoridades acreditam, porém, que o texto é autêntico por causa da linguagem e do tipo de análise política.
As Brigadas Vermelhas assinalaram que mataram DAntona por sua participação no pacto por empregos - assinado em 1993 para reduzir conflitos trabalhistas e ampliar a oferta de trabalho. DAntona era o encarregado das relações com os sindicatos e arquiteto da política trabalhista do governo.
Nas várias páginas dedicadas à análise do conflito nos Bálcãs
os brigadistas disseram que os bombardeios da aliança atlântica são parte da política desencadeada no início dos anos 90 pela "Otan e Europa para quebrar a Federação Iugoslava". As Brigadas originais, fundadas em 1969, tinham como meta criar um Estado revolucionário pela luta armada e tirar a Itália da aliança ocidental.
"Gostaria de assegurar a nossos cidadãos que os responsáveis não têm esperança alguma de levar o país de volta aos anos de chumbo", disse o primeiro-ministro da Itália, Massimo DAlema, referindo-se à ação brigadista nos anos 70 e 80.
O assassinato de DAntona comoveu a população e fez surgir o medo do retorno do terrorismo.
Em um gesto assinalando que não pretende se intimidar, o governo aprovou um pacote de medidas elaboradas par diminuir o desemprego, preparado por DAntona antes de sua morte.
Também as centrais sindicais, que vêm o crime como uma tentativa de barrar as reformas trabalhista e social, anuncciaram dias de protestos em toda a Itália.





