Brasília, 05 (AE) - Com um duelo verbal violento, marcado pela utilização mútua de adjetivos do tipo "ladrão", "desonesto", "mentiroso" e "truculento", a briga entre os presidentes do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e do PMDB, Jáder Barbalho (PA), poderá resultar num processo na Comissão de Ética do Senado. Ao contrário de ACM, Barbalho não aceitou o recuo proposto pelos líderes governistas e interlocutores do Palácio do Planalto. Elevou o tom empregado pelo pefelista na tribuna e impôs ao adversário mais um desgaste. Quando ACM tentou atalhar, surpreso, Jader reagiu: "Me ouça calado, caladinho."
Cobrado pelos líderes aliados por não ter cumprido o acordo de seguir o tom empregado por ACM no discurso, Jáder respondeu: "Quem dá o tom do meu discurso sou eu e não o senhor Antônio Carlos." Ainda perplexos com o nível da discussão, os integrantes da Mesa Diretora do Senado reúnem-se amanhã (06) para decidir o que farão com os documentos. Sem a presença de ACM. Na presidência da sessão, o senador tucano Geraldo Melo (RN) antecipou sua intenção de convocar uma reunião de líderes também para esta quinta-feira sem a presença de Jáder Barbalho.
As quase duas horas de troca de acusações foram sustentadas por "dossiês" apresentados por Antônio Carlos Magalhães e por Jáder Barbalho. As peças de acusação dos dois foram montadas a partir de recortes de jornais. O material foi encaminhado à Comissão de Ética, onde os senadores esperam esfriar os ânimos. Mas o líder do PPS, senador Roberto Freire (PE), já apresentou requerimento para que todos os documentos sejam encaminhados também ao Ministério Público. Os dois senadores autorizaram a quebra de seus sigilos fiscal e bancário."Eles não podem tensionar ainda mais. Agora, é esperar que o caso se dilua e perca fôlego, em duas semanas, com a oportuna Semana Santa", torce um líder governista.
Até o início do debate no plenário, os bombeiros da base governista no Congresso acreditavam que tanto ACM quanto Jáder Barbalho utilizariam a tribuna de forma moderada, embora tivessem sido frustradas todas as tentativas de demovê-los do embate em plenário.
"Não posso recuar, a Presidência do Senado teve a sua imagem arranhada e tenho que defendê-la, ou não poderei ocupar o cargo", repetiu ACM a vários interlocutores. No PMDB, o discurso não era diferente. Jáder Barbalho sustentou, conta um interlocutor, que um presidente de partido não poderia aceitar calado o tratamento jocoso de ACM. "Nada adianta eu topar uma trégua, porque ele (ACM) ficará vazando os famosos dossiês para os jornais e é aí que a história nunca acabará."
O presidente do Senado cumpriu o acertado. Falou apenas 11 minutos e, para o seu estilo, foi econômico.
Todos foram surpreendidos por Barbalho. O presidente do PMDB
em quase meia hora de exposição, fez um discurso tentando desmistificar os tão temidos dossiês de ACM e acusando o presidente do Senado de ser violento no trato com os parlamentares de todos os partidos, com o presidente Fernando Henrique e até mesmo com o seu partido. "A figura do presidente da instituição foi arranhada, desmoralizada", avaliava um dirigente pefelista.

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