Rio- No exato dia em que a morte trágica do menino João Hélio completou um mês, uma criança de dois anos foi a nova vítima da guerra travada na disputa por bocas-de-fumo no Rio. Maria Fernanda Guerra Santana foi morta com dois tiros na cabeça durante um ataque de rivais contra o seu padrasto, Maurício da Silva, de 45 anos, traficante da favela de Vila Vintém, em Padre Miguel, na zona oeste do Rio.
O crime aconteceu anteontem à noite quando a criança passeava de bicicleta no colo de Maurício e com sua mãe, Dayane da Silva Guerra, de 23 anos, na garupa. Um Santana de cor escura interceptou o grupo, um homem saiu do carro e efetuou vários disparos contra Silva e a mulher. Dois tiros atingiram Maria Fernanda na cabeça, a mãe dela escapou ilesa e o padastro foi baleado no rosto, ombro e tórax. As vítimas foram socorridas por vizinhos e levados ao Hospital Albert Schweitzer onde a criança morreu.
A polícia informou que o padastro cumpriu pena no presídio de Bangu IV por tráfico de drogas e estava em liberdade condicional. Internado em estado estável, ele está sob vigilância policial. Em depoimento, após a morte da filha, Dayane reconheceu que sabia sobre o envolvimento de Maurício com o crime e apontou como autor dos disparos o traficante conhecido como Leandrinho, do Morro do Fumacê, em Realengo, também na zona oeste. Segundo ela, o acusado e Maurício atuavam na mesma facção criminosa e se desentenderam anos atrás quando Leandrinho mudou de quadrilha. Desde então, viviam se ameaçando.
No enterro, o pai da criança, Victor Santana foi contido para não agredir a ex-mulher. ''Eu disse para você não se envolver com eles. Ela era minha filha!'', gritava o rapaz. A ligação da mãe da criança com o tráfico será investigada assim como a possibilidade dela ter exposto a filha a alguma situação de risco.

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