Brasília, 05 (AE) - Auxiliares próximos do presidente Fernando Henrique Cardoso observam que por trás da disputa entre o governador paraense Almir Gabriel (PSDB) e o senador Jáder Barbalho (PMDB-PA), em torno da direção da Companhia Docas do Pará, está a sucessão presidencial em 2002. O objetivo de algumas lideranças do PSDB seria a exclusão do PMDB do governo, como forma de os tucanos garantirem o apoio da máquina federal para um candidato da legenda na próxima eleição presidencial.
"O PSDB está pensando três anos na frente", disse um assessor de Fernando Henrique. "É evidente que um governador de Estado não ameaça deixar a legenda apenas por um cargo portuário
isto é um pretexto para dar mais um passo em um projeto sucessório."
O movimento de parte dos dirigentes do partido - governadores Mário Covas (SP), Tasso Jereissati (Ceará), entre outros - é condenado até mesmo por ministros tucanos, temerosos da desestabilização da base partidária em nome da distante sucessão presidencial. "Essas futricas alimentam a antiga tese de alguns tucanos de afastar o PMDB da base aliada, já que quanto mais dificuldades de relacionamento e divergências públicas forem criadas, mais força ganha esta tendência", afirmou um ministro do PSDB.
Na avaliação de interlocutores do presidente, não é de hoje que o PSDB procura a exclusão do PMDB da base de apoio. Os próprios peemedebistas detectaram o movimento desde o episódio da saída do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) do Ministério da Justiça, em julho. Na ocasião, o governador Mário Covas (PSDB) defendeu abertamente a demissão do ministro, o governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), pregou uma ampla reforma ministerial que passasse por uma "compactação" da base do governo no Congresso e o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, sugeriu, com o apoio do presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC) , que o presidente organizasse um Ministério com a participação de menos partidos.
O presidente Fernando Henrique está consciente da estratégia de parte de seu partido e não pretende compactuar com ela, mesmo porque o governo precisa dos votos do PMDB para aprovar a emenda que institui a cobrança previdenciária dos inativos. "O momento não poderia ser mais inoportuno", comentou um assessor do presidente, ligado ao PSDB, apostando que Fernando Henrique não vai desprestigiar Jáder Barbalho.
Cautelosos, os parlamentares do PMDB evitam alimentar a polêmica agora, até porque confiam que o presidente manterá a nomeação de Rogério Amaro Barzellay, ligado a Jáder Barbalho, para a Companhia Docas do Pará, oferecendo alguma outra posição para Almir Gabriel. "A nomeação foi feita e não existe a hipótese de ela não ter sido aprovada previamente pelo Palácio do Planalto", comentou o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA). "Já conversei com o presidente Fernando Henrique e não estou nem um pouco preocupado", disse.

mockup