Briga na Câmara antecipa disputa eleitoral em SP
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de junho de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 23 (AE) - A guerra deflagrada ontem (22) entre as bancadas governista e petista na Câmara Municipal anteciparam a disputa eleitoral do ano 2000 na cidade de São Paulo. A distribuição do cartaz produzido pelos Diretórios Municipal e Regional do PT criticando os parlamentares que apóiam o prefeito Celso Pitta (sem partido), tranformou-se no argumento que os situacionistas precisavam para unir-se definitivamente e iniciar o contra-ataque ao PT.
Os vereadores dos partidos que apóiam o Executivo na Câmara estavam inconformados com o fato de terem sido transformados nos vilões da história recente paulistana e os petistas, nos paladinos da Justiça. A estratégia começou a ser traçada durante a aprovação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais, mas foi colocada em prática aos poucos. A primeira reação foi o impedimento do início do processo de impeachment contra o prefeito Celso Pitta (sem partido) e o supultamento da CPI dos Fiscais, impedindo a continuidade das investigações pelo Legislativo.
A fase seguinte do plano é consolidar a formação do "bloco" governista e dizimar os mecanismos de oposição parlamentar do PT, PSDB, PC do B e do PSB. O único problema era encontrar um motivo como argumento para evitar a caracterização da vingança política. A agressão alegada pelo cartaz distribuído pelos diretórios Municipal e Regional do PT tranformou-se nesse motivo. "O processo de sucessão foi antecipado, por causa da maneira do PT de partir para o confronto violento", reconheceu o vereador Toninho Paiva (PFL).
"O processo eleitoral foi deflagrado agora, porque o PT está tentando pegar para si o slogan de que são honestos e transformar esse índice de lembrança da Marta Suplicy em algo concreto", disse Bruno Féder (PTB). A líder do PT na Câmara, Aldaíza Sposati, afirmou que os vereadores governistas estão buscando uma "tábua de salvação" para tentar superar a crise na qual se encontram. "Caracterizar um clima de disputa eleitoral é forma de desviar a atenção da população, tentar processar um ou outro vereador do PT para confundiar a sociedade
numa clara tentativa de colocar todos na vala comum", argumentou.
Aldaíza disse que a decisão de distribuir o cartaz foi dos diretórios Municipal e Regional. "Não dá para avaliar se foi um erro político ou não", disse. O vereador Adiano Diogo (PT) disse que tudo não passa de estratégia governista. "O processo político está associado ao eleitoral, o que ocorre naturalmente durante os quatro anos de mandato", disse Diogo. "Não existe isso de ocorrer ontem ou amanhã", completou.
O vereador Paulo Roberto Faria Lima (sem partido) recorreu a um fato da 2ªGuerra Mundial para resumir o confronto entre os governistas e o PT. "É o efeito Pearl Harbor: os países do Eixo levaram vantagem no primeiro ataque, mas os aliados venceram a guerra".


