Brasília, 16 (AE) - Ontem à noite, ainda era uma incógnita a reação que o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), terá em relação à obstrução que o PFL pretende fazer à votação da reforma do Judiciário, e essa é a expectativa do dia. Corre nos bastidores da Câmara a informação de que, por trás do bate-boca provocado por Magalhães e aceito por Temer está a sucessão do governo paulista em 2002. Há cerca de três semanas, em entrevista à Agência Estado, Temer sinalizou que brigaria pela liderança do PMDB em São Paulo com o ex-governador Orestes Quércia (PMDB) e se posicionaria como a opção do partido para a sucessão do governador Mário Covas (PSDB). Magalhães teria interpretado que Temer estaria tentando capitalizar as reformas do Judiciário e tributária com vistas à eleição paulista e teria provocado a briga, em entrevista ao jornal "O Estado de S.Paulo", para fragilizar o presidente da Câmara. "Se Temer estava pensando no governo paulista, se deu mal", disse à Agência Estado, ontem, um deputado integrante do grupo político de Magalhães.
Longe do fogo cruzado, os líderes tucanos acreditam que a briga foi ruim para Temer e Magalhães, que passaram uma péssima imagem à opinião pública com ofensas pessoais e insinuações de ambas as partes. "Não há dúvida de que o PSDB saiu ganhando com essa briga", disse à Agência Estado um importante parlamentar tucano. Ao ser questionado se a sucessão paulista seria o pano-de-fundo da briga, esse parlamentar respondeu apenas que a conversa de Magalhães com Covas na semana passada "foi muito boa".

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