Briga em presídio deixa saldo de 11 mortos
Onze corpos queimados vivos, empilhados dentro de uma cela, alguns irreconhecíveis. Este foi o resultado de uma briga de presidiários dentro da Colônia Penal Agrícola 5 (CPA-5), que integra o Núcleo de Custódia de Brasília, a Papuda. Outros dois presos foram esfaqueados, mas sobreviveram. O estopim da briga teria sido a disputa pelo controle do tráfico interno de drogas, comandado pelo ex-caminhoneiro Ananias Elisiário da Silva, morto anteontem por cinco presos. Ananias é ligado à quadrilha de roubos de carros do ex-deputado estadual José Gerardo Melo (MA).
O delegado Júlio Leal Simões de Almeida, que investiga o conflito na penitenciária, disse que os cinco responsáveis pela morte de Ananias estavam dentro da cela B-1, no CPA-5, juntamente com outros dez homens. Segundo o delegado, cerca de 200 presos ligados a Ananias, todos da Ala C, foram liberados às 8 horas para o pátio. Imediatamente, eles isolaram cerca de 20 agentes penitenciários em um local reservado. Enquanto alguns presidiários vigiavam a porta do pátio, amarrada com arames, outros se dirigiram à cela B-1.
Da cela, foram retirados dois presos que não tinham desavenças com o grupo de Ananias. Os outros 13 presidiários, temendo serem mortos com estocadas de barras de ferro, teriam colocado fogo nos colchões formando uma barreira de proteção. O bando ligado a Ananias passou então a jogar mais colchões pelas grades. As vítimas morreram asfixiadas e queimadas. Dois presos que conseguiram escapar da cela foram agredidos com estocadas e tinham parte do corpo queimada, porém sobreviveram.
Os cinco presos que teriam ajudado a matar Ananias e foram assassinados ontem são Adailton Evangelista Lopes (24 anos), Anderson Fernando Coelho da Silva, (21), Humberto Farias Cabral (21), Wagner Fernandes Souza (32) e Wilson Alves dos Santos (35). Adailton participou do sequestro de Wellington Camargo, irmão da dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano, e virou uma grande liderança no presídio de Brasília. Morreram também Alberto Matias Gomes (37), Alexandre Vieira de Souza (20), Levino Ferreira de Souza (39), Marcelo Palhano Batista (23), Paulo Roberto Ferreira Lopes (48) e Vicente de Paula de Souza Costa (36).
O juiz da Vara de Execuções Penais de
Brasília, Renaldo Silva Moreira, visitou ontem a penitenciária. Ele acredita que Ananias estava fazendo algumas cobranças de drogas vendidas ao grupo de cinco presidiários. No bolso de Ananias foi encontrado um bilhete com vários nomes ligados a valores entre R$ 1,00 e R$ 10,00.
O juiz alertou para a superlotação do Núcleo de
Custódia, que é de 42% acima da capacidade normal. Em alguns setores, a superlotação chega a 112%. Moreira, no entanto, afirmou que as mortes não tiveram relação com a superlotação.
O coordenador do Sistema Penitenciário do DF, Cícero
Antônio de Araújo, admitiu que existem falhas na vigilância do Núcleo, pois frequentemente há registros de entrada de barras de ferro, utilizadas para a fabricação de estoques.





