Curitiba - Um confronto entre índios da tribo caingangue da aldeia de Queimadas, no município de Ortigueira (Campos Gerais), terminou com um morto e oito feridos na noite de terça-feira.
Segundo a Polícia Civil, uma disputa para eleger o próximo cacique teria motivado a confusão entre dois grupos. A vítima fatal é Ari Pires, pai do cacique Marcos Pires, de 31 anos, que também foi ferido no rosto durante o incidente. O homem, que não teve a idade divulgada, foi atingido por um disparo e não resistiu ao ferimento. O corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) de Ponta Grossa. Na tribo, conforme a Fundação Nacional do Índio (Funai), vivem aproximadamente 600 índios.
Conforme o delegado Ary Nunes Pereira, dos oito feridos, quatro foram atingidos por disparos de espingardas e outros quatro a facadas, pauladas e socos. Eles foram encaminhados para hospitais de Ponta Grossa e Telêmaco Borba.
''A situação do cacique é grave e os demais feridos são casos menos complexos. Um inquérito foi aberto para esclarecer como foi iniciado o confronto e como as armas foram parar na aldeia. Tudo será investigado a partir dos testemunhos dos envolvidos e de outros moradores da tribo'', informou Pereira.
Maikon Moura, coordenador técnico da Funai de Guarapuava, responsável pela aldeia, informou que um cacique da aldeia de Ivaí, em Manoel Ribas (Região Central, foi a Ortigueira para conversar com os indígenas e acompanhar o processo de escolha de um novo cacique.
''Estamos trabalhando em conjunto com outros órgãos para esclarecer o ocorrido. Inclusive para verificar a existência de armas na aldeia. Verificar se eles compraram na cidade ou se alguém levou até a localidade'', disse.
Além da Polícia Civil, a Polícia Militar e o Ministério Público do Paraná (MPE) também acompanham o caso. De acordo com o MP-PR, o caso cabe à Justiça Estadual porque se trata de um conflito interno e não uma violência praticada contra os indígenas. Mesmo assim, a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) podem ser comunicados caso o inquérito aponte a interferência de algum ''homem branco'' no confronto.
''Dependemos agora da investigação dos policiais civis e militares para tomar alguma medida em relação ao ocorrido. Vamos aguardar o andamento das apurações'', completou o promotor Thiago Artigas Niclewicz.

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