Briga de vizinhos termina com morte de subsíndica de prédio da zona sul de BH
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domingo, 28 de março de 1999
Por Evaldo Magalhães 
Belo Horizonte, 29 (AE) - Uma briga de vizinhos em um prédio da zona sul de Belo Horizonte terminou em morte, no final da noite de ontem (28). Segundo a Polícia Militar, após uma série de desentendimentos, o bancário Marcos Humberto Marques, de 34 anos, morador do apartamento 201 do edifício de três andares, no bairro Luxemburgo, um dos mais nobres da capital, assassinou com cerca de 30 facadas a subsíndica do condomínio, Maria Rita de Cássia Soares, de 39, que ocupava o apartamento logo acima do seu. O crime aconteceu em um dos corredores do prédio. O filho de Maria Rita, Roberto Soares, de 14 anos, tentou defender a mãe e foi ferido com três facadas na mão.
O assassino fugiu e, até o final da tarde de hoje, ainda não havia pistas de seu paradeiro. A mulher dele, Verenice Pinheiro de Macedo Marques, contou, em entrevista exclusiva à "Rádio Itatiaia", de Belo Horizonte, como o crime aconteceu. De acordo com Verenice, a vítima Maria Rita, que costumaria ouvir músicas em alto volume a qualquer hora do dia ou da noite, vinha "infernizando" a vida de sua família e de outros moradores. "Ela perturbava o sossego de todo mundo", disse. "Infernizou nossa vida desde que mudamos para o prédio, há seis meses: nos insultava e nos ameaçava, até com revólver", completou.
No sábado, véspera do assassinato, o bancário teria tido mais uma barulhenta discussão com a vizinha, em razão das músicas altas. A Polícia Militar teria sido chamada para solucionar o impasse entre vizinhos, a exemplo do que já fizera uma semana antes, mas, segundo Verenice, não compareceu. "Se eles tivessem vindo, podiam ter evitado a tragédia", afirmou. Na manhã de domingo, relatou a mulher de Marques, Maria Rita teria escutado, mais uma vez em alto volume, uma canção do grupo Mamonas Assassinas, com o suposto objetivo de provocar o vizinho.
"É a música que tem aquele refrão: ele é um corno, ela é uma vaca", lembrou Verenice. "Ela colocou para tocar três vezes seguidas e ficou na janela cantando os trechos mais dramáticos". A mulher do bancário disse que, apesar disso, o marido parecia tranquilo. Brincou com as duas filhas e até fez o café da tarde para a família. Depois que Verecine foi dormir, porém, Marques, armado com uma faca, encontrou-se com Maria Rita no corredor e a atacou.
"Ouvi os gritos e corri para lá, mas não pude separá-los", disse. "Não sei onde eu marido se encontra agora, mas deve estar bastante arrependido do que fez", afirmou. Ninguém do condomínio ou do prédio ao lado - onde alguns dos moradores também já teriam se desentendido com a vítima - quis comentar o caso. Polícia - O delegado Edson Moreira, da Divisão de Crimes contra a Vida da capital, assumiu as investigações hoje à tarde e disse que aguardaria a apresentação do bancário para tentar esclarecer o crime. Marques deverá ser indiciado por homicídio doloso e pode pegar de seis a 30 anos de prisão. Maria Rita era separada e morava com os filhos.


