Porto Alegre, 17 (AE) - Um conflito de interesses entre o Banco Bilbao Vizcaya (BBV), a Iberdrola e a Tele Centro Sul (TCS) em relação ao comando da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT) implodiu a Assembléia- Geral Extraordinária (AGE) que elegeria hoje o novo conselho de administração da empresa.
A Tele Centro Sul (TCS), que administra provisoriamente a operadora gaúcha, não reconheceu o direito a voto dos sócios espanhóis. O argumento é que eles integram o grupo Tele Brasil Sul (TBS), liderado pela Telefônica e afastado da gestão da CRT por ordem da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
BBV e Iberdrola, que juntos detêm 11,92% do capital votante da CRT, pediram direito a voto como acionistas comuns e não como integrantes do TBS. Eles alegaram que apenas a Telefônica deveria permanecer afastada da gestão da CRT por controlar também a Telesp fixa, o que é vetado pela legislação brasileira.
Como a participação somada de ambos supera os 8,01% da TCS, se a tentativa fosse bem-sucedida eles poderiam assumir o controle da operadora até a venda definitiva da participação da Telefônica. O preço da operação está sendo negociado com a Tele Centro Sul, único comprador habilitado. A AGE, entretanto, nem chegou a ser instalada oficialmente e a operadora está, por enquanto, sem conselho de administração.
De acordo com acionistas minoritários presentes à reunião, os representantes da Anatel informaram que, caso se configure uma tentativa de "manobra" do TBS para reassumir o comando da CRT, poderá ser aberto um inquérito administrativo para tratar do caso. No limite, o procedimento poderia resultar na "caducidade" da concessão obtida pela Telefônica.
Os minoritários informaram ainda que os ânimos permaneceram exaltados na reunião. A maioria cobrou uma atitude mais efetiva da Anatel como órgão regulador do setor - e não apenas como observador - para resolver o impasse e definir logo a nova direção da CRT.
A secretária de Energia, Minas e Comunicações do governo gaúcho, detentor de 4,1% das ações com direito a voto, Dilma Rousseff, disse que o Estado poderá recorrer à Justiça para forçar uma intervenção na operadora até que a Telefônica acerte a venda definitiva do controle para a TCS. As empresas têm 45 dias, a contar do dia 5, para fechar o negócio.
Dilma acusou a Anatel de ser "complacente" com o TBS e de se "submeter aos interesses privados em jogo na CRT". De acordo com ela, a agência é responsável pelo "vácuo legal" que se instalou em relação ao assunto. Sem conselho de administração
a operadora gaúcha está num "buraco negro", afirmou. A secretária, que já havia feito o pedido de intervenção à Anatel, reiterou a proposta do governo gaúcho de participar do comando da CRT até o acerto final entre TBS e TCS.
O presidente do Sindicato dos Telefônicos (Sinttel), Jurandir Leite, disse que os empregados da companhia deverão entrar em greve para protestar contra a administração "em caráter precário" que existe hoje. Procuradas, as empresas envolvidas não se manifestaram hoje.

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