Londrina – Um homem transtornado deixou um rastro de sangue e lares destroçados pela rua Olavo Bilac, Jardim Champagnat, zona oeste de Londrina, no último final de semana. Em surto, o maquiador Diego Ramos Quirino, de 30 anos, foi preso por matar quatro pessoas, todas degoladas: a própria mãe, Ariadne Benck dos Anjos, de 48 anos; e as vizinhas Vilma Santos de Oliveira, de 63, a mãe dela Allial de Oliveira, de 86, e Olívia Santos de Oliveira, de 10, neta de Vilma. Conhecida por Yá Mukumby, Vilma era mãe de santo do candomblé e liderança do movimento negro em Londrina e região (leia mais nesta página).
Os crimes aconteceram no sábado, por volta das 21 horas. Tudo começou com uma briga entre Diego e a esposa, a atendente de telemarketing, Patrícia Amorim Dias, de 19 anos, com a qual mantinha uma relação conturbada.
Após uma discussão, ele passou a agredir a esposa, fisicamente e verbalmente. Nem mesmo a mãe dele foi poupada. Gritos que eram ouvidos de longe se intensificaram e Patrícia foi para a rua pedir socorro.
Armado com uma faca, Diego matou a própria mãe na cozinha de casa. Nu, saiu para a rua à procura da esposa e invadiu a casa vizinha, onde Vilma Santos estava na companhia da mãe, Allial, e da neta, Olívia. Todas foram degoladas.
Allial foi morta na calçada, pelas costas, quando tentava pedir ajuda para outros moradores. "Ouvi a faca entrando nela e a vi sofrer, mas não pude fazer nada e estou chocada até agora. Passei horas lavando a calçada de sangue", relembrou emocionada a dona de casa, Rosália Silvério.
O agressor foi contido por populares. Na delegacia, Aquino permaneceu o tempo todo calado e se negou a prestar depoimento. "Tentei conversar com ele três vezes, mas ficava estático e calado. Não quis comer nada, parecia chapado. Interessante que em nenhum momento um parente veio aqui", relatou o policial Carlos Tognon.

Agressões
Diego e Patrícia moravam em uma casa simples de um pavimento, onde ela disse à Polícia ter sido vítima de agressões do marido. No sábado o clima não era bom entre eles e o comportamento foi observado por vizinhos. "Durante a tarde ele estava muito agitado, ficou na frente da casa fazendo exercícios e alongamento. Eram movimentos confusos, não de alguém que está bem", disse uma vizinha, que preferiu não ser identificada.
Os problemas se estenderam à tarde quando Diego, ao ajudar um amigo com a mudança, teria passado mal. "Ele estava estranho, falava coisas estranhas. Ficava parado, como se estivesse orando", descreveu Patrícia Dias em depoimento à Polícia. Ele teria sido encaminhado para um hospital em Cambé, onde foi medicado e liberado. A Santa Casa de Cambé informou, porém, que o paciente não deu entrada no hospital.

Prisão
Diego foi indiciado por quatro homicídios qualificados e uma tentativa de assassinato, crimes cujas penas, somadas, chegam a 132 anos de prisão. Ontem, ele foi transferido para a unidade dois da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL II), onde é mantido em isolamento. "É uma medida adotada para preservar a integridade física do acusado. Os outros presos não aceitam que um homem mate crianças ou idosos", observou o delegado Jaime José de Souza Filho. Segundo ele, em oito anos de trabalho em Londrina, nunca viu um crime com tamanha brutalidade. Patrícia Amorim Dias entrou em estado de choque e deverá ser encaminhada hoje para realização de exames de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML).

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