Briga antecipa disputa no PDT para a eleição de 2000
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quinta-feira, 09 de dezembro de 1999
Por Eliane Azevedo 
Rio, 09 (AE) - A briga do governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), com o presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, é só uma prévia da guerra interna que deverá ser deflagrada no início do ano que vem, quando começa a disputa pela candidatura à prefeitura do Rio. O governador, durante a campanha, comprometeu-se com o PT a apoiar a candidatura da vice-governadora Benedita da Silva - mas Brizola defende um candidato próprio que, segundo fontes do PDT, poderia ser ele mesmo.
Dentro do PDT, há quem duvide até que Garotinho realmente esteja empenhado em cumprir a promessa feita ao PT. Assediado pelo PMDB, ele poderia, de acordo com pedetistas graduados, apoiar, ainda que oficiosamente, o pré-candidato peemedebista, deputado estadual Sergio Cabral Filho. "Nós não tínhamos compromisso de apoio eleitoral com a vice-governadora e, no Rio, vamos de candidato próprio, é assunto que não é mais passível de dúvida para o nosso partido", anunciou Brizola, numa entrevista em Porto Alegre.
A Articulação, corrente majoritária no diretório do PT do Rio, também não tem dúvidas: Garotinho vai dar apoio à vice-governadora. "Temos a palavra pública do governador", afirmou o braço-direito de Benedita, William Campos, vice-presidente municipal do partido. "Garotinho terá de seguir a orientação do partido", contrapôs o presidente regional do PDT, Carlos Lupi, da ala brizolista.
Brizola chegou a acusar o assessor especial da Presidência da República, Moreira Franco, presidente do PMDB do Rio, de estar aliciando Garotinho e promovendo um racha no PDT. No PT, porém, há setores que veriam com agrado um rompimento entre o governador e o líder pedetista, na esperança de atrair Garotinho para as hostes petistas. Num encontro com o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, e com o presidente nacional do PT, José Dirceu, há alguns meses, Garotinho levantou a hipótese.
A recepção foi positiva - mas com a ressalva de que o governador, que tem pretensões a vôos presidenciais, teria de se conformar às conveniências do partido. Além disso, a relação de Garotinho com o PT do Rio é mais do que conturbada. A decisão do diretório regional, no domingo passado, de permanecer no governo do Estado, não resolveu o conflito entre o governador e o presidente regional do PT, deputado federal Carlos Santana.
A volta prática da corrente de Santana ao governo continua inviável. Para garantir que o deputado não retorne - e para impedir que o PT retome a secretaria estadual de Transportes -, Garotinho mandou um recado aos petistas, com uma exigência: se eles quiserem a pasta antes controlada pelo grupo de Santana, terão de abrir mão da secretaria de Trabalho, ocupada pela Articulação. A pasta seria extinta.
Como a Articulação não conta sequer com o apoio fechado de Santana à Benedita da Silva, as negociações morreram. Enquanto Garotinho e Brizola esquentam em público as gargantas para a briga do PDT, os petistas já estão empenhados na disputa entre as pré-candidaturas de Benedita e do deputado estadual Chico Alencar, apoiado pelas esquerdas.
"Depois das festas, o PT vai ser só Chico ou Bené", definiu Campos.


