Brasília, 22 (AE) - A assessoria do ministro da Ciência e Tecnologia, Luiz Carlos Bresser Pereira, procurou no início da noite a AGÊNCIA ESTADO para dar uma nova versão às declarações do ministro, feitas na manhã de hoje, sobre o Ministério da Fazenda. Segundo a assessoria, ao falar sobre a burrice de algumas pessoas, o ministro não estaria se referindo à equipe econômica, que resiste em prorrogar os incentivos fiscais concedidos à indústria de informática e que acabarão em outubro.
Segundo a assessoria, o ministro estaria querendo dizer que "é uma burrice imaginar que o governo não iria propor ao Congresso uma lei" prorrogando os benefícios. Ao dar uma nova explicação para suas palavras, o ministro tenta corrigir seu "ato falho", que poderia abrir nova crise no governo. As palavras do ministro foram pronunciadas em entrevista no fim da manhã de hoje, quando Bresser chegou ao Senado para participar de um debate sobre Incentivos Fiscais para a Capacitação Tecnológica. O painel fazia parte da I Reunião da Aliança Estratégica para Promoção da Inovação Tecnológica. Quando o ministro foi questionado sobre a prorrogação dos incentivos fiscais, disse que o ministério da Fazenda ainda não havia se pronunciado sobre o assunto.
Bresser fez a defesa da prorrogação e criticou os Estados Unidos por pressionarem o Brasil contra o uso de incentivo ao mesmo tempo em que concede fortes incentivos à pesquisa em suas empresas. Disse ainda que a defesa dos incentivos nos Estados Unidos é feita pelos republicanos, e aconselhou o Brasil a seguir menos o que os americanos dizem. Foi perguntado ao ministro se a Fazenda havia dado algum prazo para se manifestar sobre o assunto, e em resposta o ministro ficou um bom tempo sorrindo, sem pronunciar uma palavra. Foi perguntado então ao ministro se o presidente da República não iria arbitrar a questão entre os dois ministérios. Bresser disse então que o presidente iria arbitrar e que o mesmo já havia dado vários sinais de que desejava a prorrogação dos incentivos. "Mas tem gente que é burra e não entende o que o presidente deseja", afirmou o ministro, encerrando a entrevista.

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