Rio, 14 (AE) - -O ministro da Ciência e Tecnologia, Luiz Carlos Bresser Pereira (PSDB), foi criticado hoje, na abertura da Semana de Popularização da Ciência e da Tecnologia, no Rio, ao defender a transformação dos museus mantidos pelo Estado em organizações sociais. "Os museus nasceram para ser entidades públicas, e não estatais, portanto sem funcionários públicos", disse o ministro. "A idéia de privatização é ridícula, mas defendo a transformação dos museus do País em organizações sociais, que devem ser apoiadas pelo Estado."
A presidente da Fundação Planetário, Graça Salgado, foi aplaudida pela platéia, de cerca de 150 pessoas, após levantar-se para criticar o pronunciamento do ministro. Segundo ela, Bresser foi "extremamente desrespeitoso" com professores e cientistas, que "trabalham de forma séria e dedicada, mesmo recebendo salários baixos". "Se o Estado não investir, quem vai investir, porque ninguém sabe direito como funciona, na prática, uma organização social", questionou. Graça citou como exemplo de investimento estatal bem sucedido o Espaço Museu do Universo, um projeto de R$ 22 milhões financiado pela Prefeitura do Rio.
O ministro da Ciência e Tecnologia usou, em seu discurso
o argumento de que o Estado, "por definição monopolista", deve abrir mão de "tudo que é ou deveria ser competitivo". "O Brasil não pode transformar sua embaixada na Argentina em organização social, porque esta não tem caráter competitivo, mas com os museus, isto seria perfeitamente aplicável." Segundo Bresser, caso o modelo seja aprovado, o Museu Imperial de Petrópolis, na região serrana do Rio, seria o primeiro a adotá-lo.

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