Bresser critica endividamento externo e rigidez cambial
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domingo, 16 de maio de 1999
Por Roberta Jansen 
Rio, 17 (AE) - O ministro de Ciência e Tecnologia, Luiz Carlos Bresser Pereira, criticou hoje o endividamento externo brasileiro e a rigidez da política cambial adotada antes do regime de flutuação. "Acho que o capital se faz em casa", afirmou Bresser, que participou de aula inaugural na Universidade Cândido Mendes. "De uma forma geral, essa política adotada por alguns países, de se desenvolverem com capital de empréstimo, causa mais distorções do que benefícios para a economia." Na avaliação de Bresser Pereira, a principal razão para o crescimento insatisfatório do Brasil nos últimos vinte anos é o fato de o País não ter alcançado estabilidade macroeconômica. "Adotamos medidas econômicas equivocadas em função de aconselhamento interno e internacional incompetente", afirmou. Segundo o ministro, os economistas não tiveram competência para enfrentar a inflação até o Plano Real e não tiveram capacidade para limitar a entrada de capitais de empréstimo, permitindo taxas de juros elevadas e de câmbio sobrevalorizadas.
"A crise que ameaçou o País há pouco foi causada pelo endividamento externo", afirmou, lembrando que as taxas de juro são "extorsivas". Segundo o ministro, o endividamento levou à sobrevalorização da taxa de câmbio. "Se não queremos dependência, não podemos nos endividar." Bresser Pereira, no entanto, mostrou-se otimista em relação ao futuro.
Ele acredita que, com a flutuação do câmbio, a desvalorização do real e a queda nas taxas de juros, o País voltará a crescer a partir do ano que vem. "A partir do ano 2000 teremos taxas elevadas de crescimento econômico", afirmou. "Existe capacidade ociosa de capital físico e de capital humano
inclusive de tecnologia." O ministro acredita que o País continuará crescendo pelos próximos três ou quatro anos. "Depois, será necessário aumentar a capacidade produtiva e a competitividade internacional."


