Brasília, 12 (AE) - Considerada referência no País por adotar programas pioneiros no trânsisto, como o uso obrigatório do cinto de segurança e a faixa de pedestres, a cidade de Brasília é vice-campeã de vítimas fatais em acidentes de carro, entre as capitais brasileiras. Fica atrás apenas de São Paulo, que registrou 1.558 mortes no ano passado. Em Brasília, as vítimas fatais foram 430, no mesmo período, conforme dados de 1998 divulgados pelo Departamento Nacinal de Trânsito (Denatran) do Ministério da Justiça.
Para o diretor do Denatran, Gidell Dantas, um fator que contribuiu para a ocorrência de acidentes mais violentos nas ruas da capital federal foi a anistia das multas dadas aos motoristas por excesso de velocidade, prevista pela Lei 1.909/98 aprovada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal. Pela lei, além de serem anistiados, aqueles que cometeram infrações no trânsito ainda seriam ressarcidos se já tivessem pago a multa.
De acordo com o Denatran, depois do Distrito Federal a capital com maior número de vítimas fatais no trânsito em 98 foi Salvador, com 411 mortes; seguida de Fortaleza, com 333, e Belo Horizonte, 307. O órgão revela ainda que as mortes diminuíram 20% no País nos últimos dois anos, caindo de 24.107 para 19.221.
Vítimas - A maioria das vítimas fatais de trânsito está na faixa dos 15 aos 34 anos, em que se registrou 51,6% das mortes. Do total dos mortos, 74% são do sexo masculino e 35,5%, passageiros. Do total dos 5.243 acidentes registrados no Distrito Federal, 3.015 tiveram origem em batidas de carro, sendo a maioria à noite. Os atropelamentos foram 1.313. Pelos números do Denatran, Brasília ocupava em 1997 o terceiro lugar em mortes no trânsito entre as demais capitais. Apesar de ter subido para a segunda colocação, a cidade registrou uma redução de 8% no número de vítimas em 1998, comparado com o ano anterior
quando ocorreram 465 casos. Entre os feridos não-fatais no trânsito a posição de Brasília também mudou para pior. Em 97, a cidade ocupava a 6º posição com 7.093 feridos.
No ano seguinte houve uma redução, mas mesmo assim Brasília é a quarta colocada no País, com 6.927 pessoas feridas no trânsito. O campeão é São Paulo, com 29.691 feridos, seguida de Belo Horizonte (13.088) e Curitiba (7.046). Em Brasília, o índice de motorização, que mede o número de carros para cada mil habitantes, atinge a média de 250 veículos para cada mil moradores. Esse é o mesmo nível de Minas Gerais, São Paulo e Paraná. Frustração - Com a aprovação do Código Nacional de Trânsito em 1997 criou-se uma expectiva de queda no número de mortes no trânsito, como chegou a confirmar-se no primeiro quadrimestre de 1998. Mas essa tendência não continuou. Segundo Gidel Dantas, o motivo foi a não-regulamentação imediata e total do código, que começou a vigorar em janeiro de 1998. Em função das brechas da legislação, os motoristas perceberam que parte das multas e outras punições previstas não seriam colocadas em prática de imediato e resolveram pisar fundo no acelerador, enquanto o código não era regulamento por completo.

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