BRASÍLIA - A partir do próximo ano, o Brasil e a Argentina deverão dar início ao projeto de construção de um satélite de sensoriamento remoto que irá monitorar com exclusividade áreas de interesse ambiental, agrícola e hídrico no Cone Sul. Detalhes do projeto, intitulado Sabiá, foram acertados na semana passada, em reunião realizada entre o ministro da Ciência e Tecnologia, Israel Vargas, e o secretário de Ciência e Tecnologia da Argentina (cargo equivalente ao de ministro naquele país), Juan Carlos Del Bello, em Brasília.
A construção do satélite exigirá US$ 60 milhões, sendo que cada país entrará com metade do valor. A parte técnica do projeto será executada pelos dois países, mas a Argentina, por possuir maiores avanços na área de sensoriamento, ficará responsável por esse ítem. O funcionamento do satélite ainda não tem data prevista, mas a expectativa é de que entre em operação em 2003-2004. Com isso, os dois países deixarão de comprar imagens feitas por satélite no mercado internacional quando necessitarem desse material, além de contarem com informações mais detalhadas para monitorar áreas agrícolas e de preservação ambiental.
O projeto Sabiá faz parte das negociações que os dois países vêm desenvolvendo no âmbito do Mercosul, e que prevê cooperação também no campo científico e tecnológico. Durante a reunião, o secretário argentino disse ao ministro Israel Vargas que a Argentina está interessada em obter informações sobre o programa de incentivos fiscais realizado no Brasil para estimular os investimentos em ciência e tecnologia. Segundo Juan Carlos Del Bello, os investimentos no setor naquele país são de apenas 0,3% do Produto Interno Bruto.

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