Brasileiros tiram 'carteira' no Paraguai
O baixo custo e a informação que o registro de habilitação paraguaio poderia ser usado nas estradas e rodovias brasileiras estão atraindo diariamente cerca de 35 motoristas de diversos estados do Brasil para Puerto Presidente Franco (25 quilômetros da fronteira com Foz do Iguaçu), onde o Departamento de Segurança e Trânsito da cidade prepara o documento em menos de uma hora.
Apesar de a utilização da carteira de motorista paraguaia estar prevista em acordos entre os dois países e também no Tratado do Mercosul, o Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR) já determinou a suspensão provisória do uso do documento no Estado (ver texto ao lado).
Ontem, até o meio-dia, 34 brasileiros haviam sido atendidos pelo departamento paraguaio. Número bem próximo ao total registrado anteontem (37 emissões), e equivalente ao total mensal registrado em meses anteriores. O motivo, apontado pelo candidatos é o preço. Uma habilitação custa o equivalente a R$ 43,00 (valor tabelado pela legislação).
Atraído pela facilidade, o técnico em telefonia, Marcelo Teixeira Lima, 23 anos, e quatro amigos de São Paulo foram até o Paraguai. Ouvimos falar que era possível tirar a carteira aqui. Viemos porque é barato e rápido, ao contrário da burocracia do Brasil, disse Lima, referindo-se aos poucos requisitos solicitados na hora dos exames (visão, audição e tipo sanguíneo). A avaliação dos candidatos não exige teste de direção ouconhecimento das leis de trânsito paraguaias.
Douglair Alves de Oliveira, 20 anos, aproveitou a viagem para fazer dois registros (um para dirigir carros e outro para motocicletas, já que no Paraguai não há documento único) e pagou um total de R$ 63,00. Otmar Junges, 18 anos, mora em Missal (85 quilômetros ao norte de Foz) e também fez o mesmo. Apesar de ser sua primeira habilitação, Junges garantiu que possuía experiência no volante. O irmão, Felipe Junges, 25, também foi a Puerto Franco para tirar a carteira. Ele possui a habilitação brasileira para motorista de automóvel, mas decidiu economizar na hora de solicitar a autorização para guiar motos (R$ 28,00). -
Anecir da Silva Basílio, 46 anos, levou ao Paraguai um grupo de amigos de Pelotas (RS). Ele já possui habilitação brasileira, mas mostrou-se indignado com o preço praticado no Brasil. Eu estou ajudando estas pessoas porque elas ganham pouco. Quando alguém que recebe um salário mínimo vai conseguir pagar R$ 400,00 para ter o registro em nosso País?
O diretor do Departamento de Segurança e Trânsito da cidade paraguaia, Inocêncio Barreiro Ayala, explicou que, mesmo não havendo testes práticos, os brasileiros acabam recebendo a carteira porque estão ali para legalizar o que já sabem fazer.
Ayala ainda destacou que, aqueles que possuem binacionalidade, recebem um tratamento diferenciado dos chamados estrangeiros. Pela lei, quem já se naturalizou, terá o registro válido por cinco anos. Caso contrário, o documento é válido somente para um ano, disse.





