Curitiba - Um relatório divulgado nesta semana pela Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que pelo menos 77 milhões de brasileiros não têm abastecimento regular de água; e que outros 114 milhões (60% da população) não possuem saneamento básico adequado. Na avaliação da entidade, existe baixo investimento em obras de esgotamento sanitário no País, o que acarreta custos elevados para a saúde pública.
O informe indica que a situação é mais grave em favelas e em zonas rurais. Em um ano, conforme o estudo, cerca de 400 mil pessoas teriam sido internadas no Brasil por diarreia, com um custo de R$ 140 milhões para o Sistema Único de Saúde (SUS).
O presidente executivo do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos, ressalta que ocorreram alguns avanços nos últimos anos, entretanto o problema ainda está longe de ser resolvido. Ele lembra que o instituto acompanha as 100 maiores cidades brasileiras em relação à questão do saneamento há cinco anos e que a maioria apresentou avanço de apenas um ponto percentual em coleta e tratamento de esgoto
"É uma evolução muito lenta porque estamos falando de uma necessidade básica da população. Além disso, a falta de tratamento e coleta de esgoto polui os rios, o que acaba impactando na qualidade das águas dos rios que serviriam para captação", afirmou.
Em relação ao abastecimento regular de água, Carlos aponta que a situação está mais avançada em Estados como São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Ceará e Pernambuco. Entretanto, na Região Norte e em Estados do Nordeste, além de Mato Grosso, o caminho para resolver o problema ainda é longo. "Nestes locais dificilmente se observa abastecimento de água 24 horas nos 365 dias do ano. É um absurdo, mas estamos falando da realidade dos moradores destas regiões", ressaltou.
Para a professora e chefe do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Maria Cristina Borba Braga, falta vontade política e conscientização da população para mudar o panorama do País. "Faltam investimentos e isso não acontece há anos. Obras de saneamento não ‘aparecem’ para a população e, por isso, não rendem votos. Mas são ações fundamentais para se evitar doenças como diarreia, hepatite A e leptospirose, por exemplo, que geram custos ao SUS. Por isso é necessário que a população, além de se conscientizar para não poluir os rios, cobre uma solução para estas questões", disse.
Em nota oficial, a Sanepar informou que atende 345 dos 399 municípios do Paraná e um de Santa Catarina (Porto União). São 10,4 milhões de pessoas que recebem água tratada e 6,7 milhões de clientes atendidos com a coleta e tratamento de esgoto. Conforme o órgão, chega a 100% o índice de atendimento com água tratada e a 64% o índice de cobertura de coleta e tratamento de esgoto.(Com Agências)

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