Curitiba - Um estudo por amostragem feito pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) revelou que meninos e meninas brasileiros são aliciados para a prostituição mais cedo do que os paraguaios.
Enquanto em Foz do Iguaçu se constatou casos de exploração sexual de crianças a partir dos seis anos de idade, do outro lado da fronteira, em Ciudad del Este, no Paraguai, esse tipo de crime ocorre no início da adolescência, a partir dos 12 anos.
''Não podemos dizer que o indicador é fruto de fatores culturais, mas apuramos que em Ciudad del Este a história de as crianças saírem às ruas para ganhar a vida não é tão antiga como no Brasil'', diz a coordenadora do estudo da OIT, Isa Ferreira, 52.
Um trabalho de campo feito pela organização de janeiro a abril em Foz do Iguaçu e Ciudad del Este apontou conexão entre a exploração sexual de crianças e o crime organizado e o tráfico de drogas. Na cidade brasileira, a pesquisa alcançou 60 crianças de 8 a 18 anos, que combinam trabalho de rua com prostituição. Em Ciudad del Este, as informações foram confirmadas por 101 meninas de 12 a 18 anos.
A escola também aparece como um dos pontos vulneráveis para aliciamento. ''O tráfico de drogas está cada vez mais próximo das escolas, na figura do amigo ou do namorado'', diz Isa Ferreira.
Os dados foram apresentados no seminário que a OIT promove em Ciudad del Este, para estimular a formação de comitês locais e internacionais no combate e na prevenção da exploração sexual de crianças da região.
Do encontro participam líderes de ONGs (Organizações Não-Governamentais) e representantes de órgãos públicos de Brasil, Paraguai e Argentina que tratam do problema.
A entidade internacional reservou US$ 2 milhões ao Programa de Prevenção e Eliminação da Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes na Fronteira Brasil/Paraguai. A Argentina passa a integrar o programa a partir de agora. O trabalho vai se estender por três anos.
Uma das metas do encontro, segundo Isa Ferreira, é obter o apoio de autoridades e lideranças sociais para que o aliciamento do sexo infantil seja incluído na relação de crimes hediondos nas legislações dos três países. ''Só se reduz a demanda dessa exploração com um sistema legal que funcione'', defende a coordenadora da OIT.

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