Brasileiros são destaque na 9ª Bienal Internacional do Livro
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sábado, 24 de abril de 1999
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 25 (AE) - Apesar de internacional, a 9ª Bienal do Livro, que acontece desde o início da semana passada do Riocentro, na zona oeste do Rio, tem o escritor brasileiro como grande estrela. Esta é a conclusão a que chega o presidente da Fagga, Arthur Repsold, responsável pela organização do evento. "Com exceção do José Saramago, que chama a atenção devido ao Prêmio Nobel, o público tem procurado estar mais com os escritores brasileiros do que com os estrangeiros que estão participando", conta Repsold. "E olha que temos nomes importantes, como Robin Cook, Erica Jong e Elizabeth Roudinesco". No fim de semana, o público não quebrou o recorde de 45 mil pessoas do feriado de 21 de abril, mas chegou perto. No sábado, 43.843 pessoas passaram pelas roletas magnetizadas e, como o ingresso tem barra de listras, foi possível contar 43.257 pagantes, dos quais 3.830 eram crianças. Hoje, até o meio da tarde, mais de 20 mil pessoas tinham chegado ao Riocentro, e a previsão era de que o público se igualasse ao de quarta-feira passada. Na sexta-feira, o público também passou dos 44 mil, sendo 75% estudantes de escolas secundárias de 1º e 2º e graus.
"Precisamos repensar essa participação das crianças para a próxima Bienal, porque chegamos ao limite de nossa capacidade", disse Repsold. "Tivemos que recusar pedidos de muitas escolas que querem nos visitar nesta última semana da Bienal, por absoluta falta de espaço". A participação das escolas públicas cresceu também. Se
na última Bienal, 34% das crianças vinham de escolas públicas, este ano a proporção cresceu para 43%.
Os expositores ainda não fizeram as contas de quanto foi vendido em livros, mas Repsold garante que, numa sondagem informal com as grandes editoras, as expectativas foram superadas. "Mas o principal retorno é institucional, é despertar o interesse por livros e ganhar novos leitores", explicou. "Para isso, foi muito importante a programação cultural, que colocou o público em contato em contato com o autor".
Segundo Repsold, os cafés literários, os fóruns de debates e os encontros com autores realizados nos quatro auditórios montados no Riocentro tiveram um público muito acima do esperado, especialmente quando autores brasileiros participavam. "Sempre teve um bom público mas, quando os nossos falavam, sobrava gente do lado de fora". Língua Portuguesa - Arthur Repsold elogiou a proposta do escritor José Saramago de realizar, a partir do ano que vem, uma bienal da língua portuguesa, mas ressaltou que é preciso elaborar um projeto e estudar sua viabilidade, especialmente se, como sugeriu o Nobel de Literatura de 1998, o Rio sediar o evento de estréia. "Por enquanto, estamos cuidando a última semana da Bienal e só depois de feitas as contas e o balanço do que aconteceu vamos pensar no futuro", disse.


