No Fórum Regional da Lapa, na zona oeste de São Paulo, as autoridades estão às voltas com um caso intrigante, que envolve exames de DNA, investigação de paternidade e troca de bebês. A história começou no dia 16 de agosto de 1996, quando Andreia Ferreira Fracote, mãe solteira, então com 16 anos, deu à luz um garoto que recebeu o nome de Rodrigo. Logo após o parto, o bebê foi para o berçário e a mãe para um quarto de enfermaria. Foi lá que ela recebeu a notícia, por meio de uma funcionária do hospital, que o menino nascera com um problema de formação cerebral, conhecido como microcefalia.
Durante quase três anos Andreia lutou, com o apoio da família, para manter Rodrigo, que não fala, não anda e requer atenção e cuidados médicos permanentes. Mas quando os gastos com a criança aumentaram, ela resolveu procurar o pai da criança e pedir uma pensão mensal.
O rapaz apontado recusou-se a reconhecer a paternidade e ela recorreu à Justiça. Como acontece nesses casos, foi solicitado o exame de DNA, com partículas sanguíneas do suposto pai, da mãe e da criança. Verificou-se então que o rapaz apontado por Andreia não era o pai. A surpresa maior, porém, estava em outra parte do laudo, no qual se afirma que a moça também não é a mãe da criança.
Repetiu-se o exame e o resultado foi o mesmo. Andreia acredita que houve troca de bebês na maternidade. A direção do hospital nega essa possibilidade. Um dos assessores jurídicos da instituição, Jorge Hanashiro, crê na possibilidade de falha no teste do DNA. As autoridades, porém, ainda não estão convencidas e no momento investiga-se tudo o que ocorreu na maternidade no período do parto. A possibilidade de ter ocorrido a troca de bebês não foi descartada.
Após o choque inicial da descoberta, Andreia decidiu não se afastar de Rodrigo, mesmo se não for sua mãe biológica. E levar até o fim a investigação para descobrir onde está a criança que pode ter o seu sangue.
Além da carga dramática, essa história pode ser vista como exemplo de uma nova realidade que está emergindo no País, em decorrência da popularização dos exames de DNA, conhecido como molécula da vida, que permite comprovar com segurança quase total a paternidade.
Desde que começaram ser feitos em laboratórios brasileiros, há quase dez anos, os testes foram saudados como uma conquista feminista. Mulheres que tinham dificuldade para provar quem eram os pais de seus filhos (no Brasil, uma em cada três certidões de nascimento tem em branco o espaço onde deveria constar o nome do pai, segundo o IBGE), passaram a contar com um instrumento seguro. A margem de acerto do teste, feito de forma adequada e em bons laboratórios, é de 99,99%.

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