Brasileiros não pagam fiança e continuam presos nos EUA
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domingo, 09 de abril de 2000
Por Renan Antunes 
Miami, 10 (AE) - O juiz Barry Garger, da Corte Federal do Distrito Sul da Flórida, manteve hoje a prisão dos empresários brasileiros Oscar de Barros, de 56 anos, e José Maria Teixeira Ferraz, de 46, detidos desde o dia 31 sob acusação de lavagem de dinheiro do narcotráfico. Eles alegam inocência. Os dois não conseguiram oferecer US$ 100 mil cada de fiança. As provas da promotoria contra os acusados ainda permanecem em segredo de Justiça. Nova audiência foi marcada para a próxima sexta-feira.
Barros foi representado pelo advogado Dennis Kainen e Ferraz, por David Bogenshutz. Se os dois tivessem pago fiança poderiam responder ao processo em liberdade. Mas, para fazê-lo, precisam comprovar ao tribunal a origem do dinheiro. Os advogados pediram mais tempo ao juiz para decidir se aceitam defender os dois brasileiros, um fato que sugere que eles próprios têm dúvidas sobre a procedência dos fundos que seriam usados para cobrir seus honorários.
Barros é dono das empresas Overland Advisory Services, Overland Financial Corporation e da Telemarketing Management Administration, todas registradas na Flórida e especializadas em assessoria financeira a empresários e políticos brasileiros que têm contas secretas no exterior.
Com base em documentos oficiais obtidos junto à Divisão de Corporações do Departamento de Estado da Flórida, a Receita Federal estabeleceu recentemente que Barros foi sócio do ex-presidente Fernando Collor de Mello no período em que este viveu na Flórida, num esquema triangular que envolvia a participação de álvaro Castillo, braço direito de Collor em Miami.
A parte pública da ligação entre Barros e Collor deu-se na revista mensal Star in America, no período em que o ex-presidente viveu em Miami. A revista, que se dedicava a publicar fotos e matérias pagas de brasileiros em Miami, interessados em autopromoção, pertencia a Barros e tinha uma coluna fixa, de uma página, assinada por Collor.
Ferraz já teve vários negócios em Nova York, mas todos quebraram. Ele trabalhou em sociedade com a empresária Tânia Marah, a hoteleira das sacoleiras brasileiras. Os dois tiveram uma loja chamada Coisa Nossa, fechada com o fim do movimento de turistas na chamada "rua dos brasileiros". Em meados dos anos 90, Ferraz mudou-se para a Flórida.
A investigações que levaram à detenção de Barros e Ferraz pelo FBI começaram com a prisão do americano Nigel Ramsey, em setembro de 1999. As autoridades acusam os envolvidos de ter lavado US$ 500 mil de dinheiro do narcotráfico, a parte comprovada de uma operação que pode ter chegado a US$ 22 milhões. Não são conhecidos todos os detalhes dos fatos arrolados pela promotoria contra Ramsey. Mas se sabe que Ramsey entregou os nomes dos outros quatro envolvidos no caso, três deles brasileiros.
O terceiro brasileiro é o ex-doleiro Jamil Deegan. Este não compareceu à Corte e é considerado fugitivo da Justiça. Em entrevista ao Grupo Estado, Deegan disse que se entregará ao FBI na semana que vem.
A audiência de Barros e Ferraz foi rápida. Os dois entraram vestindo o uniforme cor caqui da cadeia local, de mangas curtas, sem gola. Eles estavam algemados um ao outro. Barros tem cerca de 1m80, usa óculos, tem fartos cabelos grisalhos e bigode. Ferraz, também com vasta cabeleira, estava com barba por fazer. Os dois estavam descontraídos e riam o tempo todo.


