Brasileiros não costumam lavar as mãos
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terça-feira, 03 de agosto de 2010
Felipe Oda<br>Agência Estado 
São Paulo - Uma a cada duas pessoas que você cumprimenta diariamente não lavou as mãos depois de usar o banheiro. O hábito básico de higiene também não é comum na hora de preparar alimentos: só 46% dos brasileiros afirmam que lavam as mãos antes de cozinhar. É o que mostra uma pesquisa da consultoria inglesa TNS Global Market Research. A falta do hábito de limpeza pode ser responsável pela transmissão de uma série de doenças virais e bacterianas ao homem. Entre elas, conjuntivite, diarreia, febre tifoide, gripe e hepatite.
''Mas a lista de doenças que podem ser transmitidas pela contaminação das mãos é enorme. As mais comuns são as do trato respiratório e as diarreias'', afirma o infectologista Caio Rosenthal, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo.
Quando as mãos entram em contato com uma superfície contaminada e não são esterilizadas, micro-organismos podem pegar carona e contaminar olhos, bocas, narinas, pele e alimentos. ''E é a contaminação alimentar que mais preocupa, pois o alcance do alimento é muito maior'', diz Jacyr Pasternak, infectologista e presidente da Comissão de Controle de Infecção do Hospital Israelita Albert Einstein.
A pesquisa apontou a falta de conhecimento como a principal razão para as mãos sujas. 53% dos entrevistado afirmaram que não sabem da existência de germes e bactérias.
Desculpa esfarrapada, segundo o biomédico Roberto Martins Figueiredo, conhecido pelo quadro ''Dr. Bactéria'', exibido pelo programa ''Fantástico'', da Rede Globo. ''O problema é de atitude e não de conscientização. As pessoas sabem do risco, mas não lavam as mãos'', diz.
Figueiredo explica que, se as pessoas lavassem as mãos corretamente, 90% das infecções hospitalares e 80% das transmissões de doenças poderiam ser evitadas.
Os especialistas explicam que a limpeza adequada das mãos deve ser feita com água e sabão. ''Só lavar com água não adianta. A limpeza é superficial e os micro-organismos continuarão'', afirma Pasternak. ''Para limpeza das mãos, os sabões mais baratos, com maior quantidade de soda, são até mais eficazes'', completa.
O álcool em gel, comum na época da gripe H1N1, é outra opção. Não há uma quantidade ideal para a lavagem diária das mãos. ''Podemos considerar correto lavar de 8 a 25 vezes por dia. Mais do que isso pode ser algum transtorno compulsivo de limpeza'', afirma o ''Dr. Bactéria''.


