Pelo terceiro dia consecutivo, brasileiros fecharam a Ponte da Amizade (Brasil-Paraguai) em protesto contra a expulsão dos estrangeiros que trabalham ilegalmente em Ciudad del Este, fronteira com Foz do Iguaçu. Cerca de 600 pessoas bloquearam o acesso à aduana apesar do governo paraguaio ter garantido no dia anterior solucionar o impasse. Ontem, a fiscalização foi suspensa porque a maioria das lojas fechou suas portas. A passagem de ônibus de turismo e veículos de passeio ficou interrompida. Apenas caminhões com produtos de exportação foram liberados à noite (ver texto abaixo). Hoje, segundo os coordenadores do protesto, um grupo deve montar acampamento no local.

O dia ontem foi marcado por um clima mais estável em relação ao anterior, quando seis pessoas foram presas e dez ficaram feridas durante confronto com a Polícia Federal. Ontem, os manifestantes repetiram o bloqueio para forçar um resultado positivo da reunião entre o Ministro da Justiça e do Trabalho do Paraguai, Silvio Ferreira, e representantes do Governo do Estado, realizada à tarde, em Curitiba.

Sacoleiros que tentaram entrar no país vizinho e paraguaios que queriam ingressar em território nacional foram recebidos com represálias e empurrões. Muitos deles furaram a barreira perto do meio-dia, quando a mobilização deu sinais de enfraquecimento.

Pela manhã, dez brasiguaios (agricultores brasileiros residentes no Paraguai) conseguiram cruzar a fronteira. Tereza Edelunde, 62 anos, obteve a permissão ao explicar que iria para a casa dos filhos, em Tuparendá, no departamento (Estado) de Canindeyú, distante 180 quilômetros da fronteira. ''Já pensamos em retornar ao Brasil devido aos conflitos internos no Paraguai e agora na ponte'', disse.

O impasse entre trabalhadores brasileiros e paraguaios tende a continuar, embora os governos de ambos países caminhem para um entendimento. Desempregado, o paraguaio Leonardo Ribeiro, 42, garantiu que se o governo paraguaio suspender a fiscalização sobre os trabalhadores irregulares, quebrando acordo fechado na semana passada, ''o povo fechará novamente a Ponte da Amizade''.

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