A Ponte da Amizade na fronteira entre o Brasil e Paraguai, em Foz do Iguaçu, foi reaberta para passagem de pedestres e veículos ontem à tarde. O movimento em protesto contra as expulsões de brasileiros que trabalham ilegalmente em Ciudad del Este entrou ontem no quarto dia. A pressão de sacoleiros e de mototaxistas, que exigiam a liberação da fronteira, acabou enfraquecendo a mobilização.

A travessia pela ponte foi liberada por volta do meio-dia. Os manifestantes estão divididos. Enquanto um grupo promete retomar o protesto na segunda-feira, outro ameaça fechar a fronteira hoje.

O fim do bloqueio irritou alguns organizadores do protesto que defendiam a manutenção do ato. Houve discussão entre os líderes do movimento (funcionários retirados das lojas paraguaios, sindicalistas, professores e servidores).

À tarde, organizadores do protesto, dois deputados estaduais da região, o vice-prefeito de Foz, Cláudio Rorato (PMDB), vereadores e autoridades brasileiras e paraguaias ligadas a órgãos federais participaram de uma reunião na Câmara Municipal. Eles decidiram suspender a interdição da ponte caso o governo paraguaio ''afrouxe'' a fiscalização sobre os brasileiros ilegais na próxima semana.

Os constantes bloqueios da Ponte da Amizade resultaram em prejuízos para comerciantes e exportadores da fronteira. Dados extra-oficiais apontam perdas na ordem de R$ 64 milhões somente com a suspensão das vendas em Ciudad del Este, disse o presidente do Centro de Importadores e Comerciantes de Alto Paraná (Cicap), entidade que representa estabelecimentos comerciais paraguaios, Charif Hammoud.

O protesto também afetou a Central de Abastecimento (Ceasa) de Foz, onde os prejuízos chegaram a cerca de R$ 1,9 milhão com o cancelamento de exportações de hortifrutigranjeiros destinadas ao país vizinho. Prejudicou ainda o recolhimento de impostos pela Receita Federal. A Folha não obteve números sobre as perdas da balança comercial.

Autoridades do Paraná e do Paraguai decidiram montar uma comissão que vai estudar uma solução definitiva para o problema na fronteira. A comissão, que começa a trabalhar na segunda-feira, tem prazo de 30 dias para apresentar propostas.

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