Adenésio ZanellaAlunos de Odontologia fazem exame; no país, curso provatório de ingresso substitui vestibularEntrar numa universidade sem precisar passar pelo pesadelo que é o vestibular. Esse é o sonho de muitos estudantes brasileiros.
E muitos já encontraram a fórmula mágica para realizar esse sonho: as universidades do Paraguai. Isso acontece, graças ao Curso Provatório de Ingresso (CPI), um sistema que substitui o vestibular.
O Curso Provatório funciona da seguinte maneira: o aluno se matricula na universidade no curso que deseja. Durante um semestre, ele estuda oito matérias, seis básicas e duas específicas do curso que escolheu. No final do semestre, faz os testes. Se conseguir passar com notas acima de 6,0 então o aluno está aprovado. Isso significa que o estudante ingressará no primeiro ano da universidade. Se o estudante não conseguir as notas, então terá que fazer tudo de novo.

Adenésio ZanellaJosé Luís gostou do ParaguaiO método está atraindo muitos estudantes brasileiros que vêem o vestibular como um entrave no caminho. O estudante João Luiz Matto, 21, de Laranjeiras do Sul (PR), é um exemplo. Ele já tinha tentado vestibular para Odontologia durante dois anos em três universidades: na Estadual de Ponta Grossa, na PUC e na Federal, em Curitiba.
‘‘Eu fiquei sabendo do Paraguai com a dona de uma agência de viagem de Foz do Iguaçu que tem a filha estudando aqui. Eu estava comprando uma passagem para a Bolívia, ia estudar odonto lᒒ, diz o estudante brasileiro.
Para não ter que cruzar a fronteira todos os dias, José Luiz decidiu morar em Ciudad del Este. Ele e um outro colega de classe, Cláudio Marques, 26, alugaram uma casa no bairro onde fica a universidade e que é o mais elegante de Ciudad del Este, o Paraná Country Club, um condomínio fechado.
Cláudio está a 730 quilômetros de casa. Ele veio de Lages (SC). O estudante estava com as malas prontas para estudar na Argentina quando ficou sabendo de Foz. Cláudio quer voltar para o Brasil assim que se formar e até já decidiu o que pretende fazer. ‘‘Vou me especializar em cirurgia buco-maxilo-facial, que é a reconstrução da face em casos de acidentes’’. Já, o colega José Luiz está na dúvida. ‘‘Aprendi a gostar do Paraguai. Penso em trabalhar em Assunção’’.
PreçoO curso de odontologia foi implantado este ano na Universidade Católica Nossa Senhora de Assunção (Ciudad del Este). Dos 100 alunos, 70 são brasileiros.
No total, a universidade tem 1.800 estudantes e oferece outros sete cursos: direito, análise de sistemas, ciências contábeis, psicologia, química e farmácia, bioquímica e engenharia mecatrônica (uma junção das engenharias eletrônica e mecânica).
O preço dos cursos universitários no Paraguai é um outro atrativo para os brasileiros. O de odontologia por exemplo, está custando U$ 300,00 por mês. ‘‘No Brasil eu estaria pagando cerca de R$ 800,00’’, diz Cláudio.
O preço foi um fator que pesou na decisão de Najla Sleiman, 20. A estudante de Foz do Iguaçu estava cursando fisioterapia na PUC de Curitiba. ‘‘A mensalidade era muito cara. E aqui estou mais perto de casa’’.

Adenésio ZanellaNajla ficou mais perto de casaParaguaiCursoPara se matricular no Curso Provatório de Ingresso, o aluno precisa apresentar os documentos pessoais (identidade e certidão de nascimentos), certificado e diploma de 2º grau e o histórico escolar. São praticamente os mesmos documentos exigidos pelas universidades Brasileiras.
Depois é preciso levar os documentos até um consulado paraguaio. Os documentos precisam ser autenticados pelos Ministérios da Educação e de Relações Exteriores do Paraguai.
No Curso Provatório de Ingresso, o aluno estuda seis matérias básicas: matemática, teologia, língua espanhola, metodologia científica, história do Paraguai e lógica simbólica.
Os estudantes Carlos Juliano, 20 anos, de Maringá, e Maykel Oliveira, 20, de São Luís do Maranhão, dizem que no início sentiram algumas dificuldades por causa do idioma diferente. ‘‘Hoje já tiro de letra’’, diz Maykel.
O ‘‘portunhol’’ está se tornando a língua oficial das universidade paraguaias localizadas na fronteira com o Brasil. Na Universidade Católica Nossa Senhora de Assunção, os brasileiros também estão presentes nos outros cursos. Numa porcentagem bem menor do que em Odontologia, eles representam, em média, 5% do total de estudantes. ‘‘Estou colocando em prática o sonho de estudar Odontologia’’, afirma Maykel.

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