Brasileiros farão cirurgia gratuita na Venezuela
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quarta-feira, 31 de maio de 2006
Agência Estado 
Recife- Patrocinados pelo governo da Venezuela, 99 moradores do município metropolitano de Abreu e Lima embarcaram ontem, no Aeroporto dos Guararapes, no Recife, às 12h40 para Caracas, em um avião fretado. Setenta e nove deles têm catarata em estágio avançado e vão se submeter a cirurgias. Outros 16 viajaram como acompanhantes, além de uma equipe de quatro pessoas da prefeitura.
Cidadão de Abreu e Lima desde dezembro do ano passado, quando também inaugurou os bustos de Simón Bolívar e do General Abreu e Lima no centro da cidade, Hugo Chávez já levou 40 crianças de duas escolas da cidade - uma estadual e outra particular - para conhecer Caracas. Elas viajaram em janeiro.
O embaixador da Venezuela no Brasil, Júlio Garcia Montoya, esteve no embarque e fez discurso desejando que os pacientes retornem com a visão recuperada para assistir aos jogos da Copa do Mundo. Ele reiterou que através do programa humanitário Misión Milagro Internacional, que faz cirurgias gratuitas de catarata em pacientes pobres de países latino-americanos, o seu país está disposto a atender todas as prefeituras brasileiras que demonstrem interesse em se beneficiar do programa. A meta do Misión Milagro - uma cooperação entre Venezuela e Cuba - é fazer cirurgias de catarata e epterismo em 600 mil latino-americanos carentes em um ano e chegar a seis milhões em 10 anos.
O acordo foi feito diretamente entre o governo venezuelano e a prefeitura de Abreu e Lima, sem envolver governo federal e estadual, e foi questionado por entidades médicas. O secretário municipal de Saúde, Ivanildo Cruz, considerou ''um presente'' a iniciativa venezuelana e afirmou que os pacientes esperavam há muito tempo pelas cirurgias.
Para o presidente da Sociedade de Oftalmologia de Pernambuco, Vasco Bravo, o presente é ''de grego''. ''A comunidade oftalmológica repudia a ajuda'', afirmou ele, ao considerar ''um absurdo'' sair para fazer as cirurgias quando elas poderiam ser realizadas no País. ''Estamos perplexos, e como tudo foi feito à revelia dos governos brasileiro e pernambucano, não se sabe como foi feita a triagem dos pacientes, quem irá operá-los e quem se responsabilizará pelo acompanhamento do tratamento, que dura em média seis meses''.


