Brasileiros e paraguaios não cessaram as provocações pela disputa do mercado de trabalho no comércio de Ciudad del Este, na fronteira com Foz do Iguaçu, no Paraná. Por volta das 3 horas da madrugada de ontem um grupo de sindicalistas do Brasil interditou a Ponte da Amizade, que ficou fechada durante todo o dia. Esta é a terceira semana de protestos na fronteira. Apesar das provocações entre brasileiros e paraguaios, ninguém ficou ferido.
A demora dos governos federal, estadual e municipal em encontrar uma solução para o impasse trabalhista tem ajudado, indiretamente, a criar um clima xenófobo na fronteira. Enquanto cerca de 800 brasileiros bloqueavam o trânsito em Foz do Iguaçu, cerca de 100 paraguaios cruzaram a Ponte da Amizade para ''observar'' o manifesto. Eles ficaram menos de 100 metros de distância entre si e acabaram trocaram ofensas.
Os ânimos foram tranquilizados com a intervenção da Polícia Rodoviária Federal, que pediu aos paraguaios que retornassem ao país vizinho. A chuva também ajudou a espantar os mais exaltados, obrigando os manifestantes a ficar debaixo de barracas de lonas durante o dia inteiro.
A barreira foi retomada depois da trégua do final de semana quando a passagem de pedestres e o tráfego foi liberada. A falta de solução para o problema já resultou em dez bloqueios na fronteira nas duas última semanas. Apesar dos protestos, os governos federal, estadual e municipal ainda não apresentaram uma solução para os cerca de 100 brasileiros expulsos das lojas de Ciudad del Este.
Os paraguaios estão irredutíveis e pretendem continuar expulsando os estrangeiros. Já os sindicalistas brasileiros avisam que vão manter a ponte fechada até que o governo paraguaio reveja a decisão e permita que os brasileiros continuem trabalhando nas lojas de Ciudad del Este, onde mais de 95% dos clientes são sacoleiros brasileiros.
Pelo menos cinco reuniões já foram realizadas para discutir o assunto. O vice-prefeito de Foz, Cláudio Rorato (PMDB), quatro vereadores e líderes sindicais tentaram ontem sensibilizar o prefeito de Ciudad del Este, Alicio Peralta Martínez, a presidência da Câmara e os vereadores. Mas a comitiva teve negado o pedido de suspensão da vistoria no comércio paraguaio por 30 dias. A brecha abriria um prazo para os brasileiros retirarem a carteira de migração. O documento é concedido para quem tem residência comprovada no país vizinho -principal exigência para trabalhar no Paraguai. Segundo o vice-prefeito de Foz, ''eles estão intransigentes. Isso é um revanchismo esquisito. Está faltando bom senso'', avaliou.
Para os paraguaios, um recuo representaria o descumprimento da lei e traição ao acordo fechado com cerca de cinco mil manifestantes que desocuparam a Ponte da Amizade há duas semanas, após o governo assumir compromisso de retirar os ilegais do comércio. Prejudicaria ainda pretensões políticas as vésperas das eleições municipais que acontecerão em 18 de novembro.
O problema na fronteira está sob responsabilidade do secretário geral do Ministério das Relações Exteriores, Luiz Felipe de Seixas Correa. Segundo a assessoria do Itamaraty, o ministro Celso Lafer está em viagem a Washington (EUA). (Com agência)

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