São Paulo, 18 (AE) - Em menos de uma semana, a Sociedade Beneficente Muçulmana de São Paulo conseguiu organizar uma verdadeira força-tarefa para ajudar as vítimas da guerra em Kosovo, nos Bálcãs.
Mais de 700 voluntários trabalharam durante todo o domingo recolhendo alimentos não perecíveis, cobertores e roupas usadas. Os suprimentos - estimados ao todo em 6 toneladas - devem ser enviados para os refugiados no fim de semana.
A campanha teve apoio das embaixadas egípcia e kuwaitiana, mas o que valeu mesmo foi a participação popular. Nos 112 pontos de apoio espalhados pela capital (a maioria deles localizada na frente de shopping centers e distritos policiais), estavam estacionados caminhões cedidos por comerciantes e até caminhonetes e carros particulares. Entre os convocados, havia muitos jovens e crianças.
A divulgação da campanha foi feita por meio de folhetos. Também fabricados - e pagos - pelos colaboradores. O comerciante Hussein El Kurdi distribui 4 mil papeletas e ainda transmitiu 400 mensagens via fax. O médico Kalled Reda El Hayek contribuiu com 1.500 cópias xerox.
Além dos folhetos, outro fator primordial para aumentar a arrecadação foi a curiosidade. Quem visitou os shoppings não resistiu ao apelo visual dos voluntários - uniformizados, usando preto e carregando faixas e cartazes. Muitos paravam para saber do que se tratava e contribuíam com o que tinham.
Algumas pessoas, desavisadas, chegaram a tirar os agasalhos do corpo para poder contribuir. Segundo o presidente da Sociedade Muçulmana, Jamel Ali El Bacha, a Cruz Vermelha já confirmou o embarque dos mantimentos, que deve ser feito em aviões da Força Aérea Brasileira.

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