Brasileiros descobrem mutação de câncer
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quinta-feira, 24 de julho de 2003
Karine Rodrigues<br> Agência Estado 
RIO - Uma equipe do Instituto Fernandes Figueira (IFF), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), descobriu em integrantes de uma mesma família uma nova mutação genética associada ao câncer de mama. Os pesquisadores integram o projeto Câncer de Mama e Genética que, desde sua criação em 1995, investiga 400 famílias com alto risco de desenvolver a doença, primeira causa de morte por câncer em mulheres no País. Este ano, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca), mais de 40 mil mulheres vão ter este tipo de tumor, nove mil morrerão.
A nova mutação no gene brca2 foi encontrada há dois anos em uma mulher com câncer de mama. Os pesquisadores decidiram analisar cinco gerações da família da paciente e descobriram 17 casos de câncer, sendo 11 deles de mama, dois de pele, três de intestino e um de próstata.
De acordo com o chefe do Serviço de Mastologia do IFF e coordenador do projeto, Roberto Vieira, embora já tenham sido detectadas mais de 200 mutações diferentes no brca2, o tipo identificado no Brasil ainda não havia sido registrado.
A descoberta vai permitir o diagnóstico precoce da doença. ''Como a probabilidade de o portador da mutação apresentar a doença é grande, se a qualquer tumor surgir, vai ser detectado numa fase inicial e curável, quando, às vezes, nem a mamografia ou a ultra-sonografia são capazes de identificá-lo. O monitoramento, portanto, é fundamental'', diz o médico.
Segundo Vieira, a família portadora da mutação não quer comentar o assunto. ''Elas não autorizam repassar o contato, pois temem ser prejudicadas'', explica Vieira, se limitando a informar que moram em uma metrópole.
Autor de uma dissertação de mestrado sobre a descoberta, Luis Cláudio Amendola ressalta que, embora nem todo portador do gene modificado apresente o tumor, a probabilidade de desenvolvê-lo, no caso da mama, é de 85%, considerando uma sobrevida média de 80 anos. A nova mutação no brca2, diz ele, também aumenta a susceptibilidade ao câncer na próstata e no intestino.
No caso do tumor na mama, entre outros fatores de risco estão o fumo, o álcool e a gravidez tardia. Dados do Inca indicam que a taxa bruta de mortalidade por 100 mil mulheres, para este tipo de câncer, passou de 6,14, em 1980, para 9,74 em 2000.


