Brasileiros deixam Timor Leste
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terça-feira, 07 de setembro de 1999
Por Cláudia Dianni 
Brasília, 08 (AE) - Os cinco brasileiros que ainda encontravam-se em Dili deixaram o Timor Leste na noite desta quarta-feira (08), sob proteção da Organização das Nações Unidas (ONU). Os brasileiros, oficiais de ligação e observadores policiais, foram para a Austrália, onde serão abrigados na base da Unamet.
Na segunda-feira, o presidente Fernando Henrique Cardoso enviou uma carta ao presidente da Indonésia, B.J. Habibie, o encorajando a garantir o cumprimento dos acordos de Nova York, assinados em maio, em que o governo indonésio prometeu que respeitaria o resultado da consulta popular realizada na semana passada, que deu vitória à independência de Timor Leste.
Hoje, o Itamaraty divulgou nota afirmando que o Brasil tem participado ativamente das consultas internacionais destinadas a encontrar soluções para a crise no Timor, realizadas no âmbito do Conselho de Segurança da ONU e da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Segundo a nota, o presidente Fernando Henrique Cardoso tem se comunicado por telefone com líderes internacionais sobre a crise no Timor.
O Palácio do Planalto também divulgou nota de Fernando Henrique, onde acentua a posição do governo brasileiro, diante dos organismos internacionais. "O Brasil está empenhado, inclusive no âmbito do Conselho de segurança, em promover ações que assegurem a pronta restauração de um clima de segurança em Timor Leste e o estrito respeito aos resultados da consulta popular", diz o comunicado.
O primeiro-ministro da República de Guiné Bissau, Francisco José Fadul, reuniu-se hoje com o vice-presidente, Marco Maciel, para pedir ajuda humanitária para o país, que acaba de sair de um conflito interno que durou cerca de um ano.
O governo brasileiro deverá enviar técnicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para ajudar nas eleições gerais, marcadas para o dia 28 de novembro, além de técnicos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
O Brasil já havia doado as urnas das eleições de 1994, em que o ex-presidente Nino Vieira havia saído vitorioso, e deverá repetir o gesto este ano.
"Estamos dispostos a verificar a situação de guinenses no Brasil", disse o vice presidente Marco Maciel ao primeiro-ministro africano. Há cerca de 75 estudantes de Guiné-Bissau no Brasil.
Com a crise política e a queda do poder econômico, o país parou de enviar recursos aos estudantes e o governo brasileiro prometeu conceder bolsas. Amanhã, Fadul será recebido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.
Segundos fontes do Itamaraty, o Brasil e a comunidade internacional têm muitos interesses em que o processo político seja bem conduzido em Guiné-Bissau, país onde há possibilidades de haver petróleo. Entre as conversas do primeiro-ministro africano e o governo brasileiro, foi discutida a possibilidade de negócios com a Petrobrás para a exploração de petróleo na região. Se a democratização do país for bem conduzida, Guiné-Bissau poderá contar com recursos do Banco Mundial e do Banco de Desenvolvimento Africano.
Os conflitos civis em Guiné-Bissau começaram em janeiro de 1998, quando o presidente Nino Vieira, que renunciou em maio, decidiu tirar da chefia do Estado Maior das Forças Armadas seu ex-braço direito, o brigadeiro Ansumane Mané, que havia lutado ao lado de Nino pela independência de Portugal.
Nino acusava Mané de estar envolvido em contrabando de armas para Casamansa, no norte do Senegal. Foi instalada uma comissão de inquérito para apurar o caso, mas no dia da divulgação do resultado, Nino substituiu Mané, que já estava em armas e com o controle da Capital, Bissau.


